Manaus | 4 de junho de 2026 | 21:02:55

Polêmica ou acolhimento? “Dia da Cegonha Reborn” reacende debate sobre saúde emocional e representatividade no Brasil

Aprovado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro na última semana, o projeto de lei que cria o “Dia da Cegonha Reborn” no calendário oficial da cidade dividiu opiniões, mas também abriu espaço para um tema pouco discutido: o papel das bonecas reborn na saúde emocional de milhares de mulheres.

A proposta, de autoria do vereador Vitor Hugo (MDB), institui a data a ser comemorada anualmente em 4 de setembro, em homenagem às “cegonhas” — como são chamadas as artesãs que confeccionam as bonecas hiper-realistas. Para muitos, parece algo excêntrico. Para outros, representa acolhimento, terapia e memória afetiva.

No projeto, o parlamentar destaca que as reborns são utilizadas não apenas como brinquedos, mas como instrumentos terapêuticos, principalmente em casos de luto gestacional, infertilidade, depressão pós-parto e traumas emocionais. Segundo ele, o nascimento de um bebê — mesmo simbólico — pode ser um processo profundamente restaurador.

Cegonhas, terapias e maternidades simbólicas

O mundo das reborns não se resume a estética. Há vídeos na internet de mulheres recebendo suas bonecas em “partos simbólicos”, laudos de psicólogos que recomendam seu uso em processos terapêuticos e até maternidades reborn em funcionamento no Brasil.

O Google Trends confirma que o tema vem ganhando força: o termo “bebê reborn” teve picos de busca nos últimos meses, com destaque para outubro, dezembro e abril de 2025. Nas redes sociais, as bonecas são descritas como “companheiras silenciosas” por mulheres que enfrentam a dor do luto, a solidão da maternidade ou o vazio da impossibilidade de gerar filhos.

Entre o preconceito e o acolhimento

Mesmo diante da função terapêutica, a proposta causou estranhamento em parte da sociedade. Críticos chamam de “fantasia exagerada” ou “escapismo emocional”. Outros questionam se a homenagem não banaliza o calendário oficial do município.

Por outro lado, especialistas em saúde mental defendem a medida como uma forma de reconhecer práticas de enfrentamento emocional que já existem e funcionam, mesmo que fora dos padrões tradicionais. A proposta também dá visibilidade a mulheres que, até então, viviam esse vínculo simbólico com vergonha ou silêncio.

E agora?

O projeto de lei aguarda agora a sanção do prefeito Eduardo Paes (PSD-RJ). Independentemente da assinatura, o debate já foi lançado: é possível acolher a dor de forma simbólica sem cair no ridículo?

O Dia da Cegonha Reborn pode parecer estranho à primeira vista, mas talvez o que ele represente — cura, afeto e pertencimento — seja mais necessário do que se imagina.

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