Setor de serviços lidera crescimento, salários sobem e consumo das famílias impulsiona PIB, mas desafios estruturais persistem
O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% em 2024 foi acompanhado por uma forte queda no desemprego e um aumento significativo na renda dos trabalhadores. A economia brasileira expandiu-se impulsionada principalmente pelo consumo das famílias, resultado do aumento da ocupação e da melhora nos rendimentos.
O PIB pode ser analisado sob duas óticas principais:
• Pelo lado da oferta, que considera tudo o que foi produzido no país (agropecuária, indústria e serviços);
• Pelo lado da demanda, que mede os gastos na economia (consumo das famílias, gastos do governo, investimentos e comércio exterior).
Do lado da produção, o setor de serviços liderou a alta, com crescimento de 3,9%, seguido pela indústria, que avançou 3,4%. A agropecuária, que havia registrado uma supersafra em 2023, teve leve queda de 2,5%, mas manteve um nível de produção elevado.
Mais empregos, salários mais altos e maior consumo
A recuperação econômica gerou 1,69 milhão de empregos formais em 2024, um crescimento de 16,5% em relação ao ano anterior, segundo dados do Caged. O mercado informal também cresceu, com aumento de 6% nos empregos sem carteira assinada e 1,9% nos trabalhadores por conta própria, segundo a PNAD Contínua, do IBGE.
O cenário positivo no mercado de trabalho refletiu-se diretamente nos salários. O rendimento médio cresceu 3,7% em termos reais, chegando a R$ 3.225 por mês, enquanto a massa total de rendimentos subiu 6,5%.
Com mais pessoas trabalhando e ganhando mais, o consumo das famílias teve um papel central na expansão do PIB. O setor de serviços, especialmente turismo, alimentação e lazer, foi um dos mais beneficiados.
“As pessoas ficam mais em hotéis, querem jantar fora, almoçar fora, a demanda por turismo está muito grande”, explica Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB do FGV Ibre.
O reflexo desse movimento pode ser visto no crescimento de 13,5% no faturamento do setor de franquias, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), superando as expectativas para o ano.
O desafio da sustentabilidade do crescimento
Embora o crescimento econômico e a queda do desemprego sejam boas notícias, especialistas alertam para os desafios de longo prazo. A demanda aquecida pode pressionar a inflação, e sem aumento da capacidade produtiva, o país pode enfrentar gargalos que dificultam um crescimento sustentável.
Para evitar um cenário de alta de preços e baixo crescimento no futuro, economistas defendem mais investimentos em infraestrutura e produtividade, além de reformas estruturais, como a tributária e a administrativa.
A economia brasileira fechou 2024 com números positivos, mas garantir que esse crescimento continue de forma equilibrada será o grande desafio dos próximos anos.







