Empresa subiu preço nas refinarias em 2,8% nesta segunda, e diz que política segue os princípios da paridade de importação; associação afirma que houve alta de 6% no preço no mercado internacional entre o reajuste anterior até o aumento desta segunda.

Após mais de 50 dias sem reajustar o preço da gasolina nas refinarias, a Petrobras anunciou nesta segunda-feira (18) uma elevação de 2,8% no valor do combustível. O aumento ocorre após importadores apontarem que a elevação nos preços internacionais da gasolina implica em uma defasagem, conforme disse uma associação do setor.

O último reajuste da gasolina havia ocorrido em 27 de setembro. Desde então, a ausência de reajustes era considerada crítica pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), de acordo com a agência Reuters. A entidade apontou uma elevação de 6% no preço da gasolina no mercado internacional desde o último ajuste feito pela Petrobras até esta segunda. A associação foi criada em julho de 2017 e atualmente reúne 9 empresas importadoras com atuação no país.

Já o diesel – combustível mais comercializado do Brasil – sofreu reajuste de 1,2% nesta segunda nas refinarias.

“Com o avanço do câmbio e preços da commodity, o custo do produto teve alta 4,4%… Apesar da expectativa de atualização nos preços domésticos ainda na última sexta-feira, estes foram mantidos”, disse a Abicom, em nota, apontando ainda “ajuste necessário da ordem de R$ 0,10 por litro”.

Procurada pela agência Reuters, a Petrobras reiterou em nota que sua política de preços para a gasolina e o diesel segue os princípios da paridade de importação, formada pelas cotações internacionais destes produtos mais os custos que importadores teriam, como transporte e taxas portuárias.

A empresa ressaltou, no entanto, que “o preço de paridade de importação não é um valor absoluto, único e percebido da mesma maneira por todos os agentes”.

Segundo a empresa, os reais valores de importação variam de agente para agente, dependendo de características, como as relações comerciais no mercado internacional e doméstico, o acesso à infraestrutura logística e a escala de atuação.

A estatal ressaltou que renomadas agências de informação têm publicado indicadores de preços de paridade com diferenças significativas.

“Importante destacar que não houve interrupção nas importações, tanto de diesel quanto de gasolina, realizadas por terceiros para o mercado doméstico brasileiro, o que evidencia a viabilidade econômica das importações realizadas por agentes eficientes de mercado”, disse a empresa.

O repasse dos preços nas refinarias para os consumidores finais, nos postos, depende de uma série de questões, como as margens da distribuição e revenda, incidência de impostos e mistura de biocombustíveis.

Fonte: G1