MANAUS – Quem planeja ver os bois Caprichoso e Garantido na arena em 2026 enfrentará um obstáculo mais difícil que a fila do Bumbódromo: o preço das passagens aéreas. Um levantamento recente aponta que o trecho Manaus–Parintins, em voos da companhia Azul, já ultrapassa a marca dos R$ 9.500. O valor, equivalente a viagens para destinos internacionais como Europa ou Estados Unidos, é para um trajeto que dura pouco mais de 60 minutos.

A persistência do problema levou o deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) a subir o tom contra o Governo Federal e as agências reguladoras. Segundo o parlamentar, mesmo após alertas feitos em 2025 ao Ministério do Turismo, a realidade não apenas permaneceu, como piorou.
O jogo do “empurra” em Brasília
Diante de cobranças formais, o Ministério de Portos e Aeroportos e a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) se amparam na Lei nº 11.182/2005, que prevê a liberdade tarifária. Na prática, o governo alega que não pode intervir nos preços praticados pelas companhias.
Para Amom, a resposta é um descaso com a região Norte. “O governo foi avisado, recebeu dados e pedidos formais. A resposta foi basicamente dizer que nada pode ser feito. Enquanto isso, as passagens chegam a quase dez mil reais. Isso é inaceitável”, disparou o parlamentar, que classifica a postura federal como um “lavar de mãos”.
Incentivos fiscais, mas preços nas alturas
Um ponto crítico levantado pela denúncia é o benefício fiscal que as empresas recebem. No Amazonas, as companhias aéreas gozam de redução de ICMS sobre o querosene de aviação (QAV), uma medida criada justamente para baratear voos regionais.
“Não faz sentido comemorar o direito do consumidor enquanto milhares de brasileiros são impedidos de participar da maior festa cultural da Amazônia por preços extorsivos”, afirma Amom, lembrando que a ação ocorre estrategicamente no mês do consumidor (março).
Ofensiva Jurídica
Sem respostas concretas do Executivo, o deputado anunciou que irá acionar formalmente a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon) e enviou novos questionamentos à ANAC. O objetivo é investigar se a falta de concorrência, já que três empresas dominam o mercado nacional está sendo usada para praticar abusos em rotas onde o transporte aéreo é a única via rápida de acesso.
O Festival de Parintins é patrimônio cultural do Brasil, mas, no ritmo atual das tarifas, corre o risco de se tornar um evento exclusivo para uma elite, isolando o próprio povo amazonense de sua maior festa.





