SÃO PAULO – O cenário jurídico em torno de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sofreu uma reviravolta dramática nesta semana. Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de mantê-lo na prisão, o banqueiro decidiu mudar radicalmente sua estratégia de defesa. Sai o advogado Pierpaolo Bottini e entra em cena José Luís Oliveira Lima, um dos criminalistas mais experientes do país em acordos de alta complexidade.
Nos bastidores do Judiciário, a troca é lida como um sinal claro: Vorcaro prepara uma delação premiada.
O Dilema Familiar
Mais do que uma estratégia jurídica, a decisão de Vorcaro de “abrir o jogo” parece ter um componente emocional e estratégico: blindar seus familiares. A investigação da Polícia Federal avançou sobre o círculo íntimo do banqueiro. Seu cunhado, Fabiano Zettel, já está preso. Além disso, Henrique Vorcaro, pai do empresário, foi citado pela PF por supostamente ocultar R$ 2,2 bilhões de vítimas do Master em seu nome na gestora Reag.
Aliados afirmam que o isolamento da prisão e o risco iminente para seu pai foram os fatores decisivos para que Vorcaro autorizasse seus interlocutores a sondarem a PGR e a Polícia Federal sobre um eventual acordo.
Troca de “Pesos Pesados”
A saída de Pierpaolo Bottini não foi por falta de competência, mas por uma questão ética e técnica. Bottini tem restrições históricas ao uso da delação premiada e, mais importante, defende diversos políticos do Centrão — que poderiam ser alvos diretos das revelações de Vorcaro.
Outro nome que deve deixar o caso é Roberto Podval. A saída de Podval é vista como necessária devido à sua proximidade com o ministro do STF, Dias Toffoli, que aparece como um potencial delatado nas conversas preliminares.
Quem assume o caso?
O novo defensor, José Luís Oliveira Lima, é conhecido por transitar com habilidade em casos que abalaram as estruturas da República. No seu currículo, constam as defesas de:
José Dirceu (Mensalão)
Alberto Youssef (Lava Jato)
Braga Netto (Investigações sobre trama golpista)
Sismo em Brasília
A possibilidade de Vorcaro falar causa calafrios na Praça dos Três Poderes. Como dono de uma instituição financeira com conexões profundas, suas revelações podem atingir desde a cúpula do Legislativo até membros do Judiciário. Na última quinta-feira (12), interlocutores do banqueiro já iniciaram conversas preliminares com a PF para medir a “temperatura” e a disposição dos investigadores em aceitar o que ele tem a dizer.
O mercado financeiro e a política nacional agora aguardam os próximos passos de Oliveira Lima, que tem a missão de costurar o acordo que pode ser o mais explosivo do ano.





