O recente desmantelamento de uma rede de exploração sexual, que resultou na prisão de um piloto em São Paulo, jogou luz sobre uma ferida aberta no Norte do país: a facilidade com que o crime organizado transita pelas rotas amazônicas. No Amazonas, a distância entre a capital e o interior não é apenas geográfica, mas institucional, deixando crianças e adolescentes à mercê de redes que operam no vácuo da fiscalização.
Diante deste cenário, a pré-candidata ao governo, Professora Maria do Carmo (PL), assumiu o compromisso estratégico de descentralizar a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca). A proposta é criar unidades fixas nos municípios do interior, quebrando a logística atual que obriga vítimas a grandes deslocamentos para obterem atendimento especializado e humanizado.
“A pedofilia não pode jamais ser banalizada. É uma chaga que precisa ser banida da nossa sociedade”, afirmou Maria do Carmo, ao reagir aos dados do estudo “Violência contra crianças e adolescentes na Amazônia”, realizado pelo Unicef e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento aponta um crescimento alarmante de 184% nos casos de violência sexual no estado entre 2021 e 2023.
Mão de ferro contra o isolamento
A estratégia defendida pela professora foca no endurecimento da presença do Estado onde ele hoje é inexistente. Para a pré-candidata, a impunidade se alimenta de “brechas” e da falta de exemplos punitivos claros. Ao propor delegacias especializadas nas calhas dos rios, o plano busca criar um cinturão de proteção que desencoraje o abuso e facilite a denúncia imediata.
“Como mulher, mãe e avó, assumo o compromisso de levar a sério as políticas de proteção. O recado aos pedófilos é que vamos agir com mão de ferro. Quando as leis são cumpridas e não se deixa brechas, conseguimos quebrar a couraça da impunidade”, destacou.
O fim da infância estatística
O debate proposto retira o foco dos números frios para humanizar a tragédia social. Segundo Maria do Carmo, o aumento dos casos reflete o fim de sonhos e da pureza de uma geração que cresce sem o amparo básico da segurança pública. A interiorização da Depca surge, portanto, não apenas como uma promessa de campanha, mas como uma tentativa de estancar a hemorragia de direitos que afeta o futuro do Amazonas.








