Manaus | 22 de julho de 2026 | 17:19:32

Número de médicos no Brasil cresce 23,6% entre 2019 e 2023

O Brasil registrou um aumento de 23,6% no número de médicos entre 2019 e 2023, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (4). O país passou a contar com 502,6 mil médicos, 363,1 mil enfermeiros e 952,6 mil técnicos de saúde. Esses dados fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais 2024, estudo que analisa as condições de vida da população brasileira.

Em 2023, a proporção de médicos no Brasil era de 23,7 para cada 10 mil habitantes, um aumento em relação a 2022, quando o índice era de 22,5. No entanto, o país ainda está atrás de nações como México (25,6) e Canadá (25), mas supera a República Dominicana (22,3) e a Turquia (21,7). O estudo do IBGE também destaca que o aumento no número de médicos entre 2019 e 2023 foi mais robusto do que no período anterior (2015-2019), quando o crescimento foi de 16,4%.

A pesquisa revela que o aumento foi mais acentuado na rede privada, com um crescimento de 29,7% no número de médicos fora do Sistema Único de Saúde (SUS). Já os médicos que atuam no SUS aumentaram 21,2%. Outro dado relevante é o crescimento expressivo dos enfermeiros, cuja quantidade aumentou 39,2%, de 260,9 mil em 2019 para 363,1 mil em 2023.

O estudo também mostra que a pandemia de Covid-19 teve impacto no aumento dos recursos de saúde. O número de leitos complementares, como unidades de terapia intensiva (UTI), subiu 30%, de 59,1 mil em janeiro de 2020 para 76,9 mil em julho de 2022, e se manteve estável desde então. O número de tomógrafos também aumentou, subindo de 2,3 para 3 por 100 mil habitantes no mesmo período.

No entanto, o crescimento de médicos e infraestrutura de saúde foi desigual em algumas regiões do país. O Distrito Federal, por exemplo, manteve-se com o maior número de tomógrafos por habitante, passando de 4,6 para 7,2 por 100 mil habitantes.

Óbitos e desigualdades de saúde

A pesquisa também aborda os dados de mortalidade. Em 2023, o Brasil registrou 1,46 milhão de óbitos, um aumento de 8,4% em relação aos 1,35 milhão de mortes de 2019. O crescimento foi impulsionado principalmente pelos óbitos por câncer, que aumentaram 7,7% no período, sendo responsáveis por 17% de todas as mortes.

Outro dado relevante foi o impacto contínuo da Covid-19, que resultou em mais de 10 mil mortes em 2023, após o fim da pandemia. A pesquisa também revelou disparidades raciais e de gênero nas taxas de mortalidade. Em 2023, o número de óbitos de pessoas negras ou pardas até 44 anos foi 2,7 vezes maior do que o de brancos, com um alto índice de mortes violentas entre jovens negros.

As doenças cardiovasculares também se destacam. Entre homens negros ou pardos de 30 a 69 anos, as doenças do coração causaram 40,6 mil mortes, superando os 29,9 mil óbitos por câncer. Já entre as mulheres, as mortes por doenças cardíacas entre negras ou pardas também foram mais frequentes, com 24,5 mil óbitos, contra 18,4 mil entre brancas.

Este estudo evidencia o impacto da pandemia e das desigualdades sociais e de saúde, além de destacar os avanços no número de profissionais de saúde no país, especialmente no setor privado.

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