Mesmo com o aumento dos debates públicos e campanhas de conscientização, a sociedade brasileira ainda enfrenta grandes barreiras para identificar, nomear e enfrentar a violência contra a mulher. É o que mostra o Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres, lançado em novembro de 2025 pelo Instituto Natura e pela Avon, que passa a medir periodicamente o nível de informação da população sobre o tema.
Dados alarmantes sobre reconhecimento e apoio
Os dados revelam um cenário preocupante: 4 em cada 10 mulheres no Brasil não reconhecem como violência as agressões que elas próprias sofreram, incluindo controle, humilhação, ameaças, violência psicológica e patrimonial. Em muitos casos, comportamentos abusivos ainda são interpretados como “ciúme”, “cuidado” ou “conflitos normais”, o que dificulta a denúncia e perpetua o ciclo de violência.
Além disso, 62% dos brasileiros afirmam não ter informação suficiente para ajudar vítimas, evidenciando que a falta de conhecimento atinge tanto quem sofre agressões quanto quem poderia oferecer apoio. Essa lacuna contribui para que casos reais continuem invisíveis e sem resolução.
Por que é difícil identificar a violência
Especialistas apontam que essa dificuldade está ligada a fatores culturais e emocionais:
Muitas mulheres crescem em ambientes onde atitudes abusivas são naturalizadas.
Dependência financeira ou afetiva de parceiros dificulta reconhecer a agressão.
Comportamentos abusivos podem ser disfarçados de “atenção” ou “amor”.
O papel da conscientização
A plataforma criada pelos institutos pretende acompanhar a evolução da conscientização no país ao longo dos próximos anos, ajudando a orientar políticas públicas, campanhas educativas e ações de prevenção. O objetivo é aproximar a sociedade da realidade da violência de gênero, que continua crescendo no Brasil.
Organizações de proteção às mulheres reforçam que informação é uma das principais ferramentas para salvar vidas. Saber identificar sinais, orientar vítimas e romper o ciclo de silêncio é essencial para prevenir novos casos.
Se você ou alguém que você conhece está em situação de violência, procure ajuda:
📞 Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher
📞 Ligue 190 — Emergências
🏥 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM)





