Gasolina, alimentos e até drogas teriam feito parte da negociação para angariar votos para o atual presidente da Pestalozzi.

Os moradores do município de Nova Olinda do Norte, no interior do Amazonas, estão recebendo em seus celulares um novo arquivo de áudio (disponível no final da matéria) com supostas acusações de compra de votos promovida pelo vereador eleito Jorge William Biazze, também conhecido como Jorginho do Povo.

Jorginho é o diretor da associação Pestalozzi no município, onde são oferecidas aulas e acompanhamento para pessoas com algum tido de deficiência.

Na semana passada o portal A Repórter recebeu uma denúncia que revelava todo o esquema. De acordo com o novo áudio que circula nos grupos de whatsapp e nas redes sociais, Jorginho e um funcionário da prefeitura de Nova Olinda estariam discutindo estratégias para comprar votos no primeiro turno da eleição.

O áudio tornou-se prova de crime eleitoral, pois revela a provável ligação do diretor da Pestalozzi com facções criminosas para distribuição de dinheiro, gasolina, drogas e kits de alimentos para os eleitores das áreas urbana e rural de Nova Olinda.

De acordo com as vozes, Jorge Biazze e o servidor da prefeitura combinam um plano para que a compra de votos não aconteça no dia da eleição para evitar flagrantes da Justiça Eleitoral.

A estrutura criminosa contou com apoio de 20 mototaxistas que teriam a missão de buscar assediar eleitores e levá-los para votar em Jorginho. A entrega do dinheiro teria que acontecer pelo menos uma semana antes da eleição para evitar flagrantes.

Outra estratégia montada por Jorginho do Povo estipulou que cada mototaxista e cabo eleitoral teria que andar com, no máximo, R$ 200 no bolso. Segundo o servidor da prefeitura, esse valor não seria suficiente para tipificar compra de voto.

O plano seria guardar em casa o dinheiro com maior valor, que seria distribuído em pequenas partes aos eleitores.

Em várias partes do áudio, Jorginho menciona o apoio dos “faccionistas” à campanha, referindo-se ao auxílio de integrantes de facções criminosas.

Até o ônibus da associação Pestalozzi, que faz o transporte de pessoas com deficiência, entrou no esquema para garantir a eleição do vereador.

O veículo deveria ficar paralisado por uma semana, impedindo a realização de atividades na associação. Enquanto isso, os funcionários e alunos da Pestalozzi ficariam livres para pedir votos para Jorginho.

A deputada estadual Therezinha Ruiz também seria usada no esquema criminoso planejado por ele. O plano era conseguir uma emenda parlamentar autorizada pela deputada.

O dinheiro seria liberado no início de 2021 e talvez nunca fosse usado de fato no atendimento às pessoas com algum tipo de deficiência.

De acordo com uma fonte, que não quis se identificar, o dinheiro desviado para a campanha teria sido guardado pela então  Coordenadora da SEDUC Gracima Biazze que, segundo informações, também participa da organização  de esquemas. “Assim como a Deputada Terezinha Ruiz foi desrespeitada, o prefeito  Adenilson Reis, que mais um grande apoiador das pessoas com deficiência,  sofreria com a manipulação  do JW e seria coagido a contratar os indicados do candidato eleito devido a quantidade expressiva de votos. Nem o TRE escapou. Na semana que antecedia as eleições ofereceram ao TRE seus transportes (ônibus e SPIM). Criaram uma dedetização  sem necessidade para ser mais um argumento  da paralização  das atividades de atendimento a pessoa com deficiência. ‘A mente brilhante’ da Coordenadora de Educação  da SEDUC, irmã  do JW, é a grande responsável  pela articulação  institucional.” Afirmou a fonte.

A imagem foi enviada ao A Repórter como suposta compra de votos com rancho de alimentos.

O plano de Jorginho do Povo era obter mais de 1.000 votos para vereador de Nova Olinda do Norte, mas quando as urnas foram abertas, obteve 758 votos.

Mesmo assim, ele foi eleito como o candidatos mais bem votados do município.

Ouça o áudio na íntegra:

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