Antes do procedimento, as pacientes são acolhidas numa sala humanizada, onde há a apresentação de vídeo informativo com o objetivo de minimizar o medo e a ansiedade que são comuns nesses casos. A sala foi inaugurada no segundo semestre deste ano.
Prevenção – A conização evita que essas pacientes desenvolvam câncer de colo de útero porque é realizada no momento em que as mulheres são portadoras das inflamações pré-cancerosas, chamadas de Neoplasia Intraepitelial Cervical de alto grau, conhecida como NIC.
Em 30% dos casos é necessária a internação, quando as pacientes precisam de maiores cuidados por serem hipertensas, diabéticas ou com histórico de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), trombose, entre outros. Nessas circunstâncias, a conização será realizada no Centro Cirúrgico eletivo, com anestesia tipo sedação ou raque, estas realizadas por médico anestesiologista.
A conização é um procedimento simples, dura em torno de 10 minutos e consiste na retirada da parte doente do colo uterino em forma de cone. O material extraído é sempre enviado para biópsia.
Estrutura – A FCecon hoje disponibiliza equipamentos modernos, de alta qualidade, para a realização das conizações, o que facilita o trabalho dos médicos ginecologistas da instituição. A Fundação é o único hospital de referência no Amazonas para esse tipo de procedimento cirúrgico via Sistema Único de Saúde (SUS).
“O benefício da conização é que a gente está tratando as lesões pré-cancerosas e evitando mais um câncer de colo uterino, uma doença que leva de 10 a 15 anos para acometer uma mulher e que é 100% evitável. Daí a importância do exame preventivo anualmente. E não podemos deixar de enfatizar a vacina conta o HPV nas meninas de 9 a 14 anos e nos meninos dos 11 aos 14 anos de idade. Essa vacina é segura, eficaz e gratuita”, destaca a médica ginecologista da FCecon, Mônica Bandeira de Melo, que atua há 29 anos na instituição e hoje é gerente do serviço de Ginecologia.
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam 840 novos casos de câncer de colo do útero por ano no Amazonas.
Humanização – Desde agosto de 2019, o serviço de Ginecologia da Fundação Cecon realizou mudanças na infraestrutura de equipamentos para os três ambulatórios da especialidade, sendo que duas salas já estão reformadas, inclusive com armários modulados novos. A terceira nova sala deve ser inaugurada até o final de fevereiro de 2020.
Campanha – Em 2019, a Fundação Cecon realizou a campanha “Adote uma conização, evite um câncer de colo uterino”, para mobilizar a sociedade em torno da ampliação do número de procedimentos, dentro do projeto “Ver e Tratar o Colo Uterino”. A campanha resultou na doação equivalente a R$ 80.595,30 pela sociedade civil para aquisição de kits de conizações.
Um kit foi doado em agosto de 2019 pela empresa Kolplast, a fabricante dos equipamentos de mesa ginecológica com movimentos automatizados por meio de pedal e colposcópio com sistema de imagem de alta qualidade e precisão.
O segundo kit de equipamentos, sendo uma mesa ginecológica com mocho, colposcópio e bisturi de alta frequência, foi comprado com o dinheiro das doações realizadas pela empresa Eternal e já está em uso na FCecon desde o final de novembro deste ano.
A campanha, feita por meio de vídeo nas redes sociais, foi um sucesso e teve como objetivo sensibilizar a sociedade civil para a causa do câncer de colo uterino e angariar recursos para a compra de equipamentos utilizados na prevenção desse tipo de doença.
A FCecon, assim como outras fundações, tem autonomia para buscar meios financeiros que possam auxiliar no financiamento dos seus serviços para além do orçamento ordinário do tesouro estadual. Parcerias com entes públicos e privados estão entre as alternativas.
‘Ver e Tratar’ – A campanha foi realizada para que a FCecon tenha os kits necessários para ampliar o atendimento nos municípios polos do interior na implementação do projeto “Ver e Tratar o Colo Uterino”, evitando o deslocamento dessas mulheres para Manaus.
Em maio deste ano, a FCecon recebeu três aparelhos colposcópios da Secretaria de Estado de Saúde (Susam), que serão destinados ao projeto. Serão realizados mutirões permanentes, de seis em seis meses, nos municípios-polos, como em Itacoatiara, Borba, Manacapuru, Tabatinga, Parintins, Tefé e Coari. O projeto será coordenado pela equipe de médicos do serviço de Ginecologia da Fundação.
“O projeto nasceu da necessidade urgente de interiorização da saúde. O serviço de Ginecologia da FCecon precisa ir até essas mulheres do interior, evitando tantos transtornos emocionais, financeiros e psicológicos. A meta é irmos até as pacientes portadoras de lesões precursoras de alto grau, de seis em seis meses, em regime de mutirão, com calendário permanente nos municípios-polos. Assim teremos certamente a redução do número de casos de câncer de colo uterino no Amazonas a curto prazo”, afirma Mônica Bandeira, idealizadora do projeto “Ver e tratar o colo uterino”.
FOTOS: Luís Mansueto/FCecon









