Manaus | 24 de julho de 2026 | 15:35:08

Mulheres serão maioria na medicina até 2030

 Atualmente, o país conta com 562.229 médicos registrados nos 27 Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), e a pesquisa prevê que, até 2035, o Brasil terá mais de um milhão de profissionais em atividade. Entre esses, as mulheres serão a maioria, refletindo uma transformação no setor de saúde.

O crescimento exponencial do número de médicas tem sido destaque. Em 2009, havia aproximadamente 133 mil médicas no país, enquanto em 2022 esse número quase dobrou, chegando a 260 mil. Já o número de médicos homens cresceu em um ritmo mais lento, com um aumento de 43% no mesmo período. As projeções indicam que entre 2023 e 2035, o número de médicas crescerá 118%, enquanto o de homens aumentará apenas 62%. Esse cenário mostra a tendência de maior protagonismo feminino na medicina, especialmente entre as gerações mais jovens.

Além disso, o estudo revela que, até 2035, cerca de 85% dos médicos e médicas brasileiros terão entre 22 e 45 anos. Entre as mulheres, 70% terão até 40 anos de idade, enquanto 60% dos homens estarão na mesma faixa etária. Isso reflete uma mudança demográfica que coloca as mulheres no centro dos cuidados médicos no Brasil, especialmente em um período em que se espera uma modernização do setor com a incorporação de novas tecnologias e práticas mais inclusivas.

Distribuição desigual e desafios no atendimento

Embora o número de mulheres na medicina esteja aumentando, o estudo também destaca desafios relacionados à distribuição geográfica dos profissionais. Mesmo com o crescimento da força de trabalho médica, a desigualdade na alocação de médicos continua sendo um problema grave no Brasil, com áreas desassistidas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, sofrendo com a escassez de profissionais de saúde.

Estados do Sul (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo) e o Distrito Federal apresentam as maiores concentrações de médicos por mil habitantes, com taxas superiores à média global. Em contraste, estados da região Norte, como Amazonas, Amapá, Acre, Roraima e Pará, e alguns estados do Nordeste, como Maranhão, permanecem com as menores densidades de médicos, abaixo da metade da taxa nacional.

O relatório também chama a atenção para os “vazios assistenciais” e os “desertos médicos” — áreas onde a cobertura de saúde é insuficiente para atender às necessidades da população. Nessas regiões, médicos precisam enfrentar longas jornadas de deslocamento para chegar ao local de trabalho, um fator que prejudica a qualidade e a agilidade no atendimento.

Apesar do aumento da presença feminina na medicina, a desigualdade de distribuição continua sendo um desafio a ser enfrentado pelos gestores de saúde pública, que precisarão criar estratégias mais eficazes para atrair médicos para áreas carentes e reduzir os vazios assistenciais.

Essa transição demográfica, com a crescente presença de mulheres na medicina, representa um avanço importante na luta por equidade de gênero em uma das profissões mais tradicionais do país. No entanto, o caminho para a igualdade no acesso ao atendimento de saúde ainda é longo e depende de políticas públicas que incentivem a melhor distribuição desses profissionais em todo o território nacional.

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