No Brasil, mulheres estão à frente de uma mudança significativa no debate sobre o cultivo e uso da cannabis. Lideranças femininas, muitas delas atuantes em organizações sociais, coletivos e iniciativas privadas, estão trabalhando para regulamentar e expandir o plantio, enfrentando barreiras legais, estigmas sociais e resistência cultural.
Enquanto no Brasil o debate ainda avança lentamente, os Estados Unidos se consolidaram como referência, com 38 estados permitindo a produção de cannabis em uma área de 11,5 mil hectares. O modelo americano, que abrange tanto o uso medicinal quanto o recreativo, inspira essas mulheres que defendem a necessidade de regulamentação para garantir segurança, qualidade e acesso para fins terapêuticos.
Entre as lideranças femininas no Brasil estão mães de pacientes que necessitam do óleo de cannabis para tratamentos médicos e empresárias que enxergam no setor uma oportunidade de inovação e desenvolvimento econômico. A advogada e ativista Mariana Gomes é uma dessas vozes. Ela destaca que o potencial da cannabis no Brasil não é apenas medicinal, mas também econômico e ambiental. “Somos um país agrícola por excelência, com condições ideais para o cultivo sustentável. É hora de quebrarmos paradigmas e olharmos para a cannabis como uma oportunidade de desenvolvimento.”
Além disso, coletivos como a Rede Nacional de Feminismo e Cannabis (Renfa) têm sido essenciais na educação e conscientização da sociedade, promovendo debates e desmistificando os preconceitos em torno da planta. Para essas mulheres, a regulamentação é um passo fundamental para democratizar o acesso aos benefícios da cannabis e combater desigualdades, especialmente nas comunidades marginalizadas.
A luta, no entanto, não é fácil. Enfrentando uma legislação restritiva e um cenário político polarizado, essas mulheres precisam superar resistências institucionais e culturais. Mesmo assim, continuam perseverando, fortalecendo redes de apoio e promovendo discussões públicas sobre a necessidade de mudança.
O Brasil ainda está longe de atingir os níveis de produção e regulamentação observados nos Estados Unidos, mas as iniciativas lideradas por mulheres mostram que há espaço para avançar. A mobilização crescente promete não apenas revolucionar o setor da cannabis, mas também abrir portas para uma sociedade mais inclusiva, informada e consciente.





