O vídeo que circulou nas redes sociais mostrando uma mulher sendo puxada pelos cabelos e arrastada para fora de um salão de beleza pelo marido, no Ceará, provocou forte indignação e acendeu um novo alerta para o avanço da violência doméstica no país. Testemunhas acionaram a Polícia Militar, que foi ao local, e o caso está sob investigação.
O que mais chamou atenção foi o conteúdo publicado pela vítima logo após o episódio. Nas redes sociais, ela gravou vídeos defendendo o agressor e tentando minimizar a gravidade da situação.
De acordo com ela, o marido estaria “com medo” de sair à rua após a repercussão do caso e estaria “sem trabalhar” porque teme ser hostilizado. Ela também relata que o filho do casal não consegue ver o pai e insiste que o homem “é trabalhador” e “do bem”.
— Eu estou bem. Ele é um homem trabalhador, precisa trabalhar. Ele está com medo, não sai de casa e nosso filho não está conseguindo ver ele, afirmou.
A postura preocupa entidades e profissionais que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher. Especialistas ressaltam que a fala da vítima apresenta características claras do ciclo de violência, no qual a mulher pode justificar agressões e se sentir responsável pelo comportamento do agressor.
Segundo a psicóloga forense Ana Lúcia Ribeiro, esse tipo de reação é um dos indícios de que a vítima pode estar submetida a manipulação emocional e dependência psicológica.
“A negação da violência e a defesa do agressor acontecem em relações nas quais o medo e a culpa são usados como ferramentas de controle.”
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registra milhares de casos de agressões domésticas todos os meses. No Ceará, o problema tem sido recorrente, com registros de aumento nos indicadores de feminicídio.
A Secretaria da Segurança Pública do Estado afirma que acompanhou o atendimento à vítima e orientou sobre medidas protetivas. Até o momento, não há informações oficiais sobre a situação legal do agressor.






