A atriz e apresentadora Mônica Martelli se manifestou sobre o crescimento dos casos de violência contra a mulher no Brasil durante sua participação no programa Angélica Ao Vivo. Em uma conversa marcada pela emoção e pelo incômodo necessário, ela refletiu sobre como o cotidiano feminino é atravessado pelo medo e por violências que, muitas vezes, são naturalizadas desde a infância.
Nos últimos anos, o país tem registrado um avanço preocupante nos casos de feminicídio, considerado o assassinato de mulheres motivado por razões de gênero. Especialistas e organizações que acompanham o tema alertam que a violência cresce não apenas em números, mas também em crueldade, mostrando um cenário cada vez mais alarmante.
Durante o programa, Mônica destacou que a sensação de insegurança acompanha as mulheres em situações cotidianas, desde uma simples caminhada até decisões corriqueiras como ir à praia, pegar um transporte ou até mesmo permanecer em casa.
Ela relembrou um episódio pessoal vivido recentemente no Rio de Janeiro. Em um dia de folga, decidiu ir sozinha à praia logo pela manhã, quando o local ainda estava vazio. No entanto, ao perceber um homem se aproximando, sentiu imediatamente um desconforto profundo, uma reação automática que, segundo ela, muitas mulheres conhecem bem.
“É como se estivéssemos sempre em alerta, como se o corpo inteiro se preparasse para correr, reagir, se defender de algo que talvez nem aconteça, mas que poderia acontecer”, comentou a atriz, destacando como o medo está embutido nas experiências femininas.
A artista também falou sobre as diversas violências que as mulheres enfrentam ao longo da vida, muitas delas silenciosas, cotidianas e profundamente normalizadas. Para ela, esse acúmulo de agressões simbólicas e físicas faz parte de uma estrutura que ainda coloca a mulher em posição de vulnerabilidade.
“Nós, mulheres, passamos a vida sofrendo pequenas violências e fomos deixando isso acontecer por sermos mulheres, apenas por sermos mulheres”, disse Mônica Martelli durante a entrevista.
A reflexão ganha força em um momento em que diversos casos de agressões, abusos e feminicídios têm repercutido nacionalmente, levantando debates sobre segurança, políticas públicas, educação e responsabilização dos agressores.
Mônica encerrou sua fala reforçando a necessidade de discutir o tema de forma franca e constante. Para ela, reconhecer essas violências, das mais leves às mais extremas, é o primeiro passo para combatê-las.
A participação da atriz no programa de Angélica reforça um sentimento coletivo: o de que não é apenas uma percepção isolada, mas sim uma realidade compartilhada por milhões de mulheres que vivem, diariamente, em alerta.
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