A tentativa do ministro Alexandre de Moraes de reunir assinaturas dos colegas do Supremo Tribunal Federal (STF) em uma carta pública de apoio, após ser alvo de sanções pelo governo dos Estados Unidos, não teve o resultado esperado. A proposta foi recusada por mais da metade dos ministros da Corte, que demonstraram resistência em confrontar oficialmente uma decisão externa.
As sanções norte-americanas foram impostas com base na Lei Magnitsky, mecanismo legal que pune indivíduos acusados de envolvimento em violações de direitos humanos e atos de corrupção. Moraes foi incluído na lista em julho, devido a sua atuação no enfrentamento aos atos antidemocráticos no Brasil, segundo o governo dos EUA.
Embora o ministro desejasse uma nota conjunta de desagravo, prevaleceu a cautela institucional. Apenas o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, emitiu uma manifestação pública — de tom neutro — sem críticas aos Estados Unidos nem menção direta à penalização sofrida por Moraes.
Na tentativa de minimizar a tensão, o Palácio do Planalto organizou um jantar com o presidente Lula e todos os ministros do Supremo. No entanto, apenas seis dos onze compareceram, incluindo o próprio Moraes. A ausência dos demais reforçou o sinal de fissura interna na mais alta Corte do país.
A falta de consenso e a adesão parcial à agenda de solidariedade expõem um momento de desconforto no Judiciário brasileiro, especialmente diante da repercussão internacional do caso.






