A avaliação do mercado financeiro sobre o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu em dezembro de 2024 o ápice de 90% de insatisfação, conforme dados da pesquisa Genial/Quaest, divulgados no dia 4 de dezembro. Este nível elevado de reprovação reflete uma crescente preocupação com a condução da economia sob a administração petista, um fenômeno que já havia sido registrado no início de 2023, logo após a posse de Lula.
Atualmente, apenas 3% dos economistas ouvidos veem a gestão de Lula com bons olhos, enquanto 7% a consideram regular. Essa insatisfação com a gestão do presidente se intensificou após a deterioração das contas públicas e a falta de medidas eficazes para conter os gastos e recuperar a confiança do mercado.
O governo teve um momento de maior otimismo em julho de 2023, quando o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária estavam em fase de aprovação no Congresso, criando uma expectativa positiva de que o Brasil poderia finalmente avançar em termos de simplificação tributária e recuperação fiscal. No entanto, desde então, o cenário se agravou, com o anúncio de um pacote fiscal no final de novembro, que visava gerar uma economia de mais de R$ 70 bilhões entre 2025 e 2026. Contudo, as medidas de contenção de gastos foram consideradas insuficientes, e o fato de o governo ter anunciado a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil no mesmo momento foi amplamente criticado como uma decisão equivocada.
Embora a avaliação negativa sobre a gestão de Lula seja generalizada, o trabalho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ainda é visto de forma mais positiva por parte do mercado. No entanto, as medidas de Haddad têm enfrentado resistência, principalmente diante da falta de consistência fiscal e da crescente pressão sobre as finanças públicas.
A pesquisa, realizada entre os dias 29 de novembro e 3 de dezembro, consultou economistas de 105 fundos de investimento em São Paulo e no Rio de Janeiro. No entanto, por tratar-se de uma amostragem específica, não é possível calcular uma margem de erro ou índice de confiabilidade para os resultados apresentados.
A insatisfação do mercado financeiro é um reflexo claro da falta de confiança nas políticas econômicas do governo, agravada pela ineficácia de suas ações fiscais e pela percepção de que o país está longe de alcançar uma recuperação sólida e sustentável.





