MANAUS – O tratamento de feridas complexas, queimaduras e infecções graves ganhou um reforço tecnológico inédito na rede pública de saúde do Amazonas. Nesta sexta-feira (10/04), o Hospital Delphina Rinaldi Aziz, em Manaus, inaugurou cinco câmaras de Oxigenoterapia Hiperbárica, tornando-se a primeira unidade do estado a oferecer essa modalidade terapêutica pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A chegada do equipamento que já realizou mais de mil procedimentos em fase de testes desde fevereiro — representa um divisor de águas para pacientes que, anteriormente, enfrentavam longos períodos de internação ou o risco iminente de amputações devido a complicações de doenças como o diabetes.
Como funciona a “cura pelo oxigênio”?
A terapia consiste na inalação de oxigênio puro em um ambiente pressurizado. Na prática, o paciente entra em uma câmara que eleva a pressão atmosférica, fazendo com que o oxigênio chegue com muito mais eficiência a tecidos onde a circulação sanguínea está comprometida.
“O processo de cicatrização é muito bom porque você ganha tempo. Quanto menos tempo passar no hospital e mais rápido voltar para a família, melhor”, relata Márcio Couto, de 51 anos, que utiliza a tecnologia para acelerar a recuperação após um procedimento cirúrgico.
Além do benefício humano, a técnica é uma aliada da gestão hospitalar: sessões que duram entre 90 e 120 minutos conseguem reduzir o tempo médio de internação e o uso de antibióticos de alto custo, liberando leitos com maior rotatividade.
Expansão da Alta Complexidade
A inauguração faz parte de um pacote de modernização que tenta consolidar o Delphina Aziz como o principal polo de alta complexidade da região Norte. Durante a entrega das câmaras, o governador interino, Roberto Cidade, enfatizou que a tecnologia busca preencher uma lacuna histórica no atendimento especializado.
A unidade, que já detém o selo UTI Top Performer 2026 e a certificação ONA Nível 3 (grau máximo de excelência hospitalar no Brasil), vem expandindo sua atuação em frentes diversas, como transplantes de rim e fígado e implantes cocleares.
Um panorama da modernização na saúde
O investimento no Delphina Aziz não é isolado. A rede estadual de saúde vem passando por uma reestruturação tecnológica que inclui:
Digitalização: O portal Saúde AM em Tempo Real permite o monitoramento de indicadores e fluxos de atendimento de forma transparente.
Redução de Filas: O programa Opera+ Amazonas e a expansão da Telessaúde reduziram a espera por consultas especializadas de 100 para 19 dias em média.
Infraestrutura: A reforma da Fundação Francisca Mendes e a abertura do Hospital do Sangue Idenir de Araújo Rodrigues ampliaram a capacidade de atendimento em cardiologia e hematologia.
Com a incorporação da medicina hiperbárica, o Amazonas tenta se posicionar na vanguarda da assistência hospitalar pública, oferecendo tratamentos que, até pouco tempo atrás, eram acessíveis apenas em clínicas particulares de alto padrão.





