O senador Marcos do Val (Podemos-ES), conhecido por sua trajetória na segurança pública, voltou ao centro das atenções nesta sexta-feira (25) após ter todas as suas contas bancárias, cartões e chaves PIX bloqueadas por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida ocorre menos de 24 horas após o parlamentar embarcar para os Estados Unidos, desobedecendo uma ordem judicial de 2024 que previa a apreensão de seu passaporte diplomático. Segundo fontes do STF, a viagem é tratada como uma possível tentativa de fuga e pode agravar sua situação jurídica.
Da eleição ao confronto com o Supremo: os principais episódios. Confira abaixo a escalada de tensões entre Marcos do Val e o Judiciário:
2018 – Eleito senador pelo Espírito Santo com forte apoio de policiais e militares, apresentando-se como especialista em técnicas de segurança e defesa pessoal.
Janeiro de 2023 – Revela à imprensa um suposto plano golpista envolvendo Jair Bolsonaro e Daniel Silveira. Segundo ele, a ideia era armar um flagrante contra Alexandre de Moraes. O caso gera repercussão nacional e o coloca na mira do STF.
Junho de 2023 – A Polícia Federal realiza busca e apreensão em seus endereços. Ele é investigado por vazamento de informações sigilosas e obstrução de Justiça.
Agosto de 2024 – Moraes determina a apreensão de seu passaporte diplomático, temendo evasão do país em meio às investigações.
24 de julho de 2025 – O senador viaja para os EUA, desobedecendo a decisão judicial. A viagem ocorre com o uso de passaporte diplomático e sem autorização da Corte.
25 de julho de 2025 – Moraes determina o bloqueio de ativos financeiros como medida urgente para evitar ocultação de patrimônio.
Reações e próximos passos
A defesa de Marcos do Val ainda não se manifestou publicamente. No entanto, fontes do STF indicam que, caso o parlamentar não retorne ao Brasil de forma voluntária nos próximos dias, poderá ser alvo de novas medidas, incluindo o cancelamento definitivo do passaporte diplomático e até pedido de extradição.
Nos bastidores do Senado, a atitude do senador é vista com preocupação. “É uma afronta direta ao Judiciário”, disse um líder partidário à imprensa.
Enquanto isso, o episódio reacende a tensão entre a ala bolsonarista e o Supremo Tribunal Federal, que segue firme em seu discurso de tolerância zero com ameaças à ordem institucional e às investigações em curso.





