Mesmo com o aumento no número de vereadoras eleitas nas eleições de 2024, as cidades brasileiras com as maiores populações femininas continuam com uma baixa representatividade nas Câmaras Municipais. Santos (SP), Salvador (BA), São Caetano do Sul (SP), Niterói (RJ) e Aracaju (SE), onde as mulheres representam mais de 54% da população, são exemplos dessa disparidade.
Em Santos, que tem a maior proporção de mulheres no Brasil, apenas duas das 21 cadeiras serão ocupadas por vereadoras. Em Salvador, das 43 vagas, apenas 8 são de mulheres, mesmo a população feminina sendo majoritária. Situações semelhantes ocorrem em São Caetano do Sul e Niterói, onde a presença feminina no Legislativo não reflete a composição demográfica.
De acordo com a cientista política Juliana Fratini, a baixa representatividade feminina na política se deve, em grande parte, à falta de autonomia sobre os recursos de campanha. “Os partidos tendem a investir em candidatos que acreditam ter maior chance de vencer, e isso frequentemente resulta em menos apoio para mulheres”, explica Fratini. Além disso, as candidatas enfrentam barreiras como violência política, assédio e a necessidade de se provar constantemente competentes em um ambiente dominado por homens.
Flávia Bozza, pesquisadora do Iesp-Uerj, acrescenta que há uma verdadeira “pirâmide de barreiras” que dificulta a ascensão das mulheres na política. “Desde a filiação ao partido até a conversão de uma candidatura em uma campanha competitiva, as mulheres enfrentam obstáculos maiores que os homens”, afirma. Ela reforça que, sem um sistema de apoio adequado, incluindo incentivos financeiros e proteção contra violência política, a expansão da participação feminina continuará limitada.










