Encontro entre os líderes durou cerca de duas horas
Com um aperto de mão, mas sem expectativas de grandes mudanças, os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali, encerraram, nesta quinta-feira, um aguardado encontro sobre a resolução da antiga disputa pelo Essequibo. Enquanto Ali declarou que o mapa de seu país seguirá inalterado, o governo venezuelano afirmou que pretende “continuar com o diálogo” sobre este território rico em petróleo que compreende mais de dois terços da Guiana.
— Exijo respeito à nossa soberania — disse Ali em entrevista a jornalistas após o encontro com Maduro, que ocorreu em São Vicente e Granadinas, no Caribe. — Não há narrativas, propagandas que vão alterar o mapa de Guiana.
A reunião desta quinta-feira foi o primeiro diálogo direto entre os dois governos desde que as tensões escalaram nas últimas semanas — isto é, após a realização do polêmico referendo venezuelano, uma ameaça de invasão territorial e a iminência de um conflito armado na fronteira com o Brasil.
Ainda está prevista uma declaração conjunta de ambas as delegações sobre o assunto.
Antes mesmo de ocorrer, sabia-se que a reunião mostraria posições antagônicas de cada uma das partes envolvidas no conflito. Enquanto o líder venezuelano considerava o encontro como “uma grande conquista para abordar de maneira direta a controvérsia territorial”, Ali negou repetidamente que a disputa estava na agenda e insistiu em sua posição de que a questão deveria ser resolvida na Corte Internacional de Justiça (CIJ), que não tem a jurisdição reconhecida pelo governo venezuelano.
Maduro organizou um referendo consultivo em 3 de dezembro, aprovado por mais de 95% da população. O “sim” em massa apoiava a criação na região de uma província venezuelana, a Guiana Essequiba, e a concessão da nacionalidade a seus habitantes — no sábado, a Venezuela abriu um escritório do serviço de identificação e migração (Saime), em Tumeremo, na fronteira com Essequibo.
A Guiana considerou a consulta uma “ameaça direta”, e Ali chegou a levar a questão ao Conselho de Segurança da ONU, que terminou sem declaração final. Dias antes, a Guiana anunciou que estava em contato com “aliados” militares e deu sinal verde guianês para uma possível presença do Comando Sul dos Estados Unidos em seu país, ato classificado como “imprudente” pela Chancelaria da Venezuela.
Antes da reunião, Maduro e Ali se reuniram separadamente com representantes do bloco da Comunidade do Caribe (Caricom).
O Brasil, que defende uma solução pacífica, anunciou a decisão de reforçar a presença militar na fronteira e intensificou seus contatos diplomáticos para mediar a disputa pela região do Essequibo, tentando exercer um papel de liderança regional. O assessor especial Celso Amorim, ex-ministro das Relações Internacionais, foi designado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Sil para acompanhar presencialmente a reunião desta quinta.





