Manaus | 4 de setembro de 2026 | 03:56:40

Maduro e presidente da Guiana encerram reunião sobre disputa territorial com aperto de mão

Encontro entre os líderes durou cerca de duas horas

Com um aperto de mão, mas sem expectativas de grandes mudanças, os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Guiana, Irfaan Ali, encerraram, nesta quinta-feira, um aguardado encontro sobre a resolução da antiga disputa pelo Essequibo. Enquanto Ali declarou que o mapa de seu país seguirá inalterado, o governo venezuelano afirmou que pretende “continuar com o diálogo” sobre este território rico em petróleo que compreende mais de dois terços da Guiana.

— Exijo respeito à nossa soberania — disse Ali em entrevista a jornalistas após o encontro com Maduro, que ocorreu em São Vicente e Granadinas, no Caribe. — Não há narrativas, propagandas que vão alterar o mapa de Guiana.

A reunião desta quinta-feira foi o primeiro diálogo direto entre os dois governos desde que as tensões escalaram nas últimas semanas — isto é, após a realização do polêmico referendo venezuelano, uma ameaça de invasão territorial e a iminência de um conflito armado na fronteira com o Brasil.

Ainda está prevista uma declaração conjunta de ambas as delegações sobre o assunto.

Antes mesmo de ocorrer, sabia-se que a reunião mostraria posições antagônicas de cada uma das partes envolvidas no conflito. Enquanto o líder venezuelano considerava o encontro como “uma grande conquista para abordar de maneira direta a controvérsia territorial”, Ali negou repetidamente que a disputa estava na agenda e insistiu em sua posição de que a questão deveria ser resolvida na Corte Internacional de Justiça (CIJ), que não tem a jurisdição reconhecida pelo governo venezuelano.

Maduro organizou um referendo consultivo em 3 de dezembro, aprovado por mais de 95% da população. O “sim” em massa apoiava a criação na região de uma província venezuelana, a Guiana Essequiba, e a concessão da nacionalidade a seus habitantes — no sábado, a Venezuela abriu um escritório do serviço de identificação e migração (Saime), em Tumeremo, na fronteira com Essequibo.

A Guiana considerou a consulta uma “ameaça direta”, e Ali chegou a levar a questão ao Conselho de Segurança da ONU, que terminou sem declaração final. Dias antes, a Guiana anunciou que estava em contato com “aliados” militares e deu sinal verde guianês para uma possível presença do Comando Sul dos Estados Unidos em seu país, ato classificado como “imprudente” pela Chancelaria da Venezuela.

Antes da reunião, Maduro e Ali se reuniram separadamente com representantes do bloco da Comunidade do Caribe (Caricom).

O Brasil, que defende uma solução pacífica, anunciou a decisão de reforçar a presença militar na fronteira e intensificou seus contatos diplomáticos para mediar a disputa pela região do Essequibo, tentando exercer um papel de liderança regional. O assessor especial Celso Amorim, ex-ministro das Relações Internacionais, foi designado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Sil para acompanhar presencialmente a reunião desta quinta.

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