Manaus | 4 de junho de 2026 | 12:00:34

Maduro ataca redes sociais e pede que apoiadores desinstalem WhatsApp

Nicolás Maduro, que tenta se manter no poder na Venezuela, culpou o TikTok e Instagram pela onda de protestos no país após sua reeleição em um pleito marcado por polêmicas e falta de transparência. A fala do presidente aconteceu nesta segunda-feira (5), durante evento de comemoração ao aniversário da Guarda Nacional Venezuelana.

“Acuso o TikTok e Instagram por sua responsabilidade na instalação do ódio para dividir os venezuelanos, para buscar uma matança e divisão na Venezuela, para trazer o fascismo à Venezuela”, disse Maduro.

No mesmo evento, Maduro deletou o aplicativo de mensagens WhatsApp de seu celular e pediu que apoiadores fizessem o mesmo. Ele afirma que seus apoiadores receberam ameaças por meio do aplicativo 

“Vou romper relações com WhatsApp”, afirmou o líder a centenas de apoiadores que o ouviam sob chuva em frente ao Palácio Miraflores, sede do governo. “Estão usando o WhatsApp para ameaçar a Venezuela. Então eu vou eliminá-lo do meu telefone para sempre.”

Nos últimos dias, Maduro aumentou o tom contra essas plataformas, o que levanta temores sobre a possibilidade de mais restrições na internet venezuelana.

“WhatsApp entregou a lista [de usuários] da Venezuela aos terroristas”, afirmou o ditador, sem apresentar provas. “Estão atacando o governo, a família militar da Venezuela e a Polícia Nacional Bolivariana. Estão atacando a institucionalidade do país. Todos os cinco Poderes estão sob ataque do WhatsApp.”

Sem apresentar qualquer tipo de prova, o herdeiro político de Hugo Chávez disse que o país enfrenta um “golpe de Estado ciberfascista”, cujo um dos objetivos é “dividir”, “desmoralizar” e “desmobilizar” as Forças Armadas da Venezuela.  Ele afirma que é necessária uma “regulação nacional” das redes sociais.

Maduro ainda afirmou que tais plataformas atuam no país “sem qualquer tipo de regulação”, mas disse esperar que os órgãos de segurança resolvam essas questões. 

Apesar das críticas, o presidente venezuelano usa com frequência as redes sociais. No TikTok, por exemplo, acumula quase 3 milhões de seguidores. Ele chegou a publicar um trecho do discurso com acusações à plataforma na própria rede social.

Até o momento, o órgão eleitoral não apresentou os dados das atas eleitorais, que poderiam confirmar a vitória ou mostrar uma derrota de Maduro no pleito.

Apesar de o líder chavista afirmar que o atraso se dá por conta de um suposto ataque hacker contra o sistema do CNE, a demora e falta de transparência tem provocado incertezas na comunidade internacional sobre o futuro da Venezuela.

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