Um grupo de macacos-prego em Montes Claros, Minas Gerais, surpreendeu cientistas ao demonstrar um comportamento raro e impressionante: a fabricação de lascas de pedra, um marco evolutivo que lembra a Idade da Pedra dos ancestrais humanos. O estudo, conduzido por pesquisadores em uma fazenda da região, sugere que esses primatas atingiram um estágio evolutivo comparável ao dos hominídeos de 3,3 milhões de anos atrás, que começaram a produzir ferramentas na África.
Os pesquisadores observaram que os macacos utilizam pedras para quebrar castanhas e sementes, mas, durante esse processo, acabam gerando fragmentos afiados, semelhantes às primeiras ferramentas criadas por hominídeos primitivos. Esse fenômeno levanta questões sobre a evolução do uso de ferramentas entre diferentes espécies e sugere que a cultura tecnológica pode ter emergido mais de uma vez na história da vida na Terra.
O estudo se baseia na observação de longa duração do comportamento dos macacos na região. Os cientistas registraram e analisaram o padrão de lascamento das pedras, constatando que ele se assemelha às evidências arqueológicas de ferramentas encontradas em sítios pré-históricos africanos. No entanto, ao contrário dos primeiros hominídeos, os macacos-prego parecem não usar as lascas afiadas como instrumentos de corte, mas sim como um subproduto do uso de pedras como martelos.
A descoberta tem implicações importantes para a compreensão da evolução da inteligência e do comportamento animal. “Esse estudo mostra que o uso de ferramentas de pedra pode não ser um evento único na história evolutiva, mas sim um fenômeno que pode ocorrer independentemente em diferentes linhagens”, explicou um dos cientistas envolvidos na pesquisa.
Os macacos-prego são conhecidos por sua inteligência e capacidade de resolver problemas complexos. Já se sabia que eles utilizam ferramentas rudimentares, como pedaços de madeira e pedras, para obter alimentos, mas a produção de lascas de pedra adiciona um novo nível de complexidade ao seu repertório comportamental.
Os pesquisadores continuarão monitorando os macacos para entender melhor como esse comportamento se desenvolve e se pode levar a avanços ainda maiores na forma como esses primatas manipulam o ambiente ao seu redor. A descoberta reforça a importância de preservar o habitat desses animais e aprofundar os estudos sobre a cognição e a evolução das ferramentas no reino animal.





