O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surpreendeu nesta terça-feira (30) ao comentar sua relação com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante um evento no Palácio do Planalto, Lula afirmou que, apesar das diferenças, ambos tiveram uma “química” inesperada.
“Parecia impossível eu e o Trump termos uma química, mas aconteceu. Não tem nada impossível quando temos disposição”, declarou Lula, ao lado de parlamentares e ministros.
A declaração ocorre em meio a movimentações diplomáticas entre o Planalto e a Casa Branca para viabilizar uma conversa entre os dois líderes. Segundo fontes do governo, há negociações em andamento para que um contato entre Lula e Trump ocorra por telefone, videoconferência ou até mesmo em um encontro presencial, caso Trump vença as eleições presidenciais norte-americanas de 2024.
Reunião só na Casa Branca
Nos bastidores, o presidente brasileiro tem deixado claro que não aceitará um encontro presencial com Trump fora da Casa Branca, ressaltando que a reunião, se ocorrer, deve ter caráter institucional e refletir a importância da relação entre os dois países.
As falas de Lula vêm após Trump, durante discurso na 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, ter dito que teve uma “química excelente” com Lula quando os dois se cumprimentaram nos bastidores do evento. A declaração gerou surpresa e especulações sobre um possível estreitamento de diálogo, mesmo com suas diferenças ideológicas.
Evento marca sanção de políticas públicas
As declarações foram dadas durante a cerimônia de sanção do projeto de lei que transforma o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) e o Plano Safra da Agricultura Familiar em políticas permanentes de Estado. Na prática, isso significa que esses programas não poderão mais ser alterados por simples decreto presidencial — qualquer mudança dependerá de aprovação no Congresso Nacional.
Segundo Lula, a medida visa garantir continuidade e estabilidade às políticas públicas voltadas à agricultura familiar, independentemente de mudanças de governo.
“Queremos evitar retrocessos. Esses programas precisam estar protegidos por lei para garantir comida de qualidade e renda para quem planta”, afirmou.
O projeto foi de autoria do senador Beto Faro (PT-PA), que citou o governo anterior como um dos motivos da proposta. “Durante o governo Bolsonaro, houve restrições ao crédito da agricultura familiar. Agora, queremos garantir que isso não volte a acontecer”, justificou.
Política contra desperdício de alimentos
Na mesma cerimônia, Lula também sancionou a Política Nacional de Combate à Perda e ao Desperdício de Alimentos, que inclui a criação do selo “Doador de Alimentos”. A proposta busca incentivar estabelecimentos comerciais e empresas a doarem alimentos próximos do vencimento, mas ainda próprios para consumo, reduzindo o desperdício e ampliando a oferta para quem mais precisa.








