Depoimento foi marcado para 22 de março, na Superintendência da PF em Curitiba; ex-presidente está preso no local desde 7 de abril de 2018.

A Polícia Federal (PF) intimou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a depor em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio da Projeto Consultoria Empresarial e Financeira, controlada pelo ex-ministro Antonio Palocci.

O depoimento foi marcado para 22 de março, às 9h, na Superintendência da PF em Curitiba. Lula está preso no local desde 7 de abril de 2018.

Em delação premiada, o Palocci disse que entregou a Lula “cerca de oito a nove vezes valores em espécie”. Em média, eram remessas de R$ 50 mil que ficavam escondidas em caixas de celular ou de uísque, segundo Palocci.

O ex-ministro também afirmou que Lula recebeu propina pela obra da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Paraná. A Odebrecht destinou R$ 15 milhões ao ex-presidente, conforme o depoimento.

No depoimento, Palocci conta ter entregue dinheiro vivo a Lula em Brasília e “em diversas vezes” em São Paulo. Também chegou a levar “valores em espécie para Lula dentro da aeronave presidencial” e afirmou ser o único “a levar pessoalmente recursos a Lula, entregues em suas mãos”.

O ex-ministro citou que, durante a campanha de 2010, entregou R$ 50 mil ao ex-presidente no Terminal da Aeronáutica em Brasília – o dinheiro, segundo ele, estava guardado numa caixa de celular.

Outro trecho da delação de Palocci diz: “Em São Paulo, recorda-se de episódio de quando levou dinheiro em espécie a Lula dentro de caixa de whisky até o Aeroporto de Congonhas, sendo que no caminho até o local recebeu constantes chamadas telefônicas de Lula cobrando a entrega”.

De acordo com Palocci, um motorista presenciou essa cobrança a caminho do aeroporto e, inclusive, brincou perguntando se toda aquela cobrança de Lula era apenas por causa da garrafa de uísque.

Em resposta, Palocci disse que “era óbvio que a insistência de Lula não era por bebida, e sim pelo dinheiro; que o motorista afirmou ao colaborador que estava brincando e que sabia que se tratava de dinheiro em espécie”.

A defesa do ex-presidente Lula disse entender que houve uma afronta à Súmula Vinculante 14 do Supremo Tribunal Federal (STF), que assegura à defesa o direito de ter acesso a toda prova já documentada.

“E no caso tivemos negado o direito de acesso ao acordo de leniência da Odebrecht. Tal acesso é fundamental para sabermos a cadeia de custódia dos discos dos sistemas de informática da Odebrecht e também para verificarmos se a Odebrecht pagou os valores que o MPF quer impor a Lula”, informou.

Fonte: G1/Paraná