Manaus | 4 de junho de 2026 | 10:30:57

Levantamento revela que mulheres são maioria em apostas on-line

Foto: Joedson Alves / Agência Brasil


Um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que as plataformas de apostas esportivas, conhecidas como “bets”, podem causar um impacto negativo de até R$ 117 bilhões ao ano no setor varejista. O levantamento, divulgado na última semana, revelou ainda que, entre junho de 2023 e junho de 2024, os brasileiros gastaram R$ 68 bilhões nas bets, valor que corresponde a 0,62% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e 0,95% do consumo total no período.

Entre os dados levantados, destaca-se o perfil dos apostadores: a maioria dos usuários das plataformas de cassinos online, que operam dentro das bets, é composta por mulheres. Já nas apostas esportivas tradicionais, especialmente relacionadas ao futebol, o público masculino predomina. Essa tendência preocupa especialistas, considerando que grande parte dos benefícios sociais é destinada a mulheres, o que pode aumentar o risco de inadimplência e comprometer ainda mais o consumo familiar.

Impacto nas finanças familiares e no varejo

De acordo com a CNC, o impacto das bets no comércio, chegaria ao prejuízo potencial de R$ 117 bilhões decorrente da escalada dos gastos com apostas, que desviam o poder de compra das famílias.

O estudo, baseado no Balanço de Pagamentos do Banco Central, revelou que os gastos com apostas têm contribuído para o aumento da inadimplência. Além disso, a atuação das bets no Brasil, permitida pela Lei Federal 13.756 de 2018, foi impulsionada por pesados investimentos em publicidade, incluindo patrocínios de clubes de futebol.

O crescimento das apostas online

Outro ponto destacado foi a ascensão das modalidades de cassinos online, como o popular Jogo do Tigrinho, que vem atraindo um público expressivo de mulheres. Antes dessa modalidade, os gastos com apostas online giravam em torno de R$ 2 bilhões. Com a explosão dos cassinos virtuais, esse valor saltou para R$ 68 bilhões, sendo que 80% desse montante estão ligados às modalidades de cassino.

A CNC também levantou dados alarmantes: em agosto de 2024, beneficiários do Bolsa Família gastaram cerca de R$ 3 bilhões em apostas por meio de transferências via Pix. Esse dado reforça as preocupações sobre o impacto das bets nas finanças das famílias de baixa renda e motivou o governo a considerar medidas para reforçar o controle sobre as plataformas de apostas.

Cassinos físicos x apostas online

Com base nas informações do estudo, a CNC reforçou sua posição contrária à regulamentação das bets online, destacando os prejuízos que elas causam ao varejo e à economia familiar. Em contrapartida, a confederação defende a regulamentação dos cassinos físicos, argumentando que esses estabelecimentos gerariam empregos e aumentariam a arrecadação de impostos. Segundo estimativas da CNC, cassinos físicos poderiam gerar cerca de R$ 22 bilhões anuais em tributos, enquanto as plataformas online arrecadam cerca de R$ 12 bilhões.

Os cassinos físicos foram proibidos no Brasil em 1946, durante o governo de Eurico Gaspar Dutra, por pressão de setores religiosos e jurídicos. Atualmente, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) permanecem contrárias à liberação desses estabelecimentos, apontando os riscos de vício e impactos sociais negativos.

Diante desse cenário, o debate sobre o futuro das apostas no Brasil segue em pauta, especialmente no que diz respeito ao equilíbrio entre os efeitos econômicos e os custos sociais dessa atividade.

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