O Fantástico obteve com exclusividade o laudo pericial do Instituto de Medicina Legal (IML) que confirmou o envenenamento de uma família no Piauí, após o consumo de uma refeição no dia 1º de janeiro. Duas pessoas morreram, e outras três continuam em estado grave após ingerirem o arroz envenenado com terbufós, um veneno usado em pesticidas e agrotóxicos. A polícia agora investiga o caso como homicídio, após a descoberta de que o veneno foi intencionalmente colocado na comida.
A tragédia aconteceu em Parnaíba, no Norte do Piauí. A refeição de ano novo, composta principalmente por arroz, feijão e peixe, fez com que nove pessoas da mesma família apresentassem sintomas graves de envenenamento. Entre as vítimas fatais estão Manuel dos Santos, de 18 anos, e o bebê Igno Davi da Silva, de 1 ano e 8 meses, que faleceu no hospital.
Francisca Maria, mãe do bebê falecido e uma das vítimas do envenenamento, e suas duas filhas continuam internadas em estado grave. Elas foram transferidas para Teresina, após apresentarem sintomas como dores abdominais, convulsões e falta de ar. Maria dos Aflitos da Silva, avó das meninas, foi a única que não consumiu a comida envenenada e presenciou cenas desesperadoras, com familiares caindo um após o outro.
A refeição do almoço de ano novo tinha sobras da ceia de réveillon, e Maria de Fátima Silva, uma das responsáveis pela preparação, afirmou que tudo parecia normal. “Todo mundo jantou, ninguém passou mal”, relatou. O casal que doou peixes para a família também afirmou que os mesmos peixes não causaram problemas para eles.
A investigação policial descartou a possibilidade de envenenamento pelos peixes e identificou o veneno como terbufós. Segundo a Polícia Científica do Piauí, o veneno pode causar graves reações, afetando o sistema nervoso, o coração e levando a convulsões.
A substância encontrada no arroz tem composição similar ao chumbinho, veneno proibido no Brasil, e foi responsável pela morte de dois filhos de Francisca Maria em agosto de 2023, após eles comerem cajus envenenados. Na ocasião, a polícia apontou a vizinha Lucélia Maria Gonçalves como autora do crime, motivada por desavenças com as crianças.
No caso atual, a polícia acredita que alguém colocou o veneno no arroz antes de servir a refeição, caracterizando um homicídio intencional. O delegado Abimael Silva informou que a investigação está focada em descobrir quem foi o responsável pelo crime, e não descarta que alguém da própria família possa ter cometido o ato. Contudo, dona Maria dos Aflitos acredita que o criminoso tenha sido uma pessoa que invadiu a casa durante a madrugada do Réveillon, destacando a falta de segurança da residência.
O caso continua sendo investigado pela polícia, que busca esclarecer os detalhes do ocorrido.







