Manaus | 3 de junho de 2026 | 02:36:17

Justiça por Elas: Lula sanciona pacote de leis contra o feminicídio e amplia proteção a mulheres indígenas

Presidente Lula segura documento do PL que institui Dia da Mulher Indígena ao lado de comitiva composta por indígenas.

Em um dia histórico para os direitos humanos no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quinta-feira (9), três novas leis que prometem transformar a rede de proteção à mulher. O pacote ataca frentes críticas: obriga o uso de tornozeleiras para agressores, cria o crime de vicaricídio e estabelece um marco de combate à violência contra mulheres indígenas.

A sanção ocorre em um momento de alerta máximo: em 2025, o Brasil registrou a marca assustadora de 2.149 feminicídios, uma média de quase 6 mortes por dia.

1. Tolerância Zero: Monitoramento Eletrônico Obrigatório

A nova legislação altera a Lei Maria da Penha para tornar a tornozeleira eletrônica obrigatória em casos de risco à vida.

Alerta no celular: A vítima poderá receber um dispositivo de segurança que avisa, em tempo real, se o agressor se aproximar.

Fim da impunidade geográfica: Delegados poderão determinar o uso do equipamento mesmo em cidades onde não há juiz de plantão.

Pena maior: Quem descumprir a medida protetiva terá a pena aumentada em até metade do tempo original.

2. Vicaricídio: Quando a dor é usada como arma

Agora, o chamado “homicídio vicário” é crime hediondo. Ele ocorre quando o agressor mata filhos ou parentes da mulher para causar nela um sofrimento psicológico eterno. A pena é rigorosa: 20 a 40 anos de prisão.

3. Proteção aos Povos Originários

Atendendo a um pedido histórico das lideranças indígenas, foi criado o Dia Nacional de Proteção e Combate à Violência contra as Mulheres e Meninas Indígenas (5 de setembro).

A deputada Célia Xakriabá, autora do projeto, lembrou que o feminicídio entre mulheres indígenas cresceu 500%. “Instinto humano é cuidar de mulheres”, reforçou a parlamentar em um discurso emocionante no Planalto.

“O problema está na causa”, alerta Lula

Apesar do avanço legal, o presidente destacou que a lei sozinha não basta se não houver educação. Lula criticou o papel das redes sociais na disseminação do ódio e defendeu que o Estado precisa ser preventivo, e não apenas reativo.

“Estamos cuidando dos efeitos. É preciso ter, junto com a lei, um projeto para educar os violentos”, afirmou o presidente.

O Retrato da Violência em Números (2025)

6.904 vítimas (entre casos consumados e tentados).

75% dos crimes cometidos por companheiros ou ex-companheiros.

1.653 crianças ficaram órfãs no último ano devido ao feminicídio.

O desafio além do papel

A sanção dessas leis marca um novo capítulo na legislação brasileira, mas o grito que ecoa dos estados, especialmente de regiões como o Amazonas, onde as distâncias geográficas e as barreiras culturais para mulheres indígenas são imensas, é por aplicação imediata.

Não basta tipificar o crime se a proteção não chegar na ponta, na comunidade isolada ou no bairro periférico. O endurecimento da pena e o uso da tecnologia são ferramentas vitais, mas, como bem pontuado na cerimônia, a verdadeira mudança nasce do fim do silêncio e de uma educação que pare de formar agressores.

O Brasil de 2026 dá um passo importante para que “mulheres vivas” deixem de ser um desejo político e passem a ser a regra de uma sociedade que não aceita mais o luto como rotina. A lei agora é o escudo; o desafio, agora, é o braço do Estado fazê-la valer.

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