O Aeroclube do Amazonas, fundado em 30 de abril de 1940, recebeu uma ordem de despejo emitida pela Justiça Federal no dia 14 de outubro de 2025, após dois anos de impasse com a Infraero. A decisão determina que a entidade desocupe o Aeródromo de Flores, na zona centro-sul de Manaus, em um prazo de cinco dias.
A disputa teve início em 2023, quando o Governo Federal transferiu oficialmente a gestão do aeródromo para a Infraero, por meio da Portaria nº 514, publicada pelo Ministério de Portos e Aeroportos. Com isso, o convênio que garantia o uso do espaço ao Aeroclube perdeu validade. Desde então, as duas partes travam uma batalha judicial pelo controle da área.
A Infraero obteve a posse judicial do aeródromo e iniciou a cobrança de valores retroativos referentes à ocupação de hangares e prédios usados pelo Aeroclube. Segundo o engenheiro e tesoureiro da instituição, Francimar Sampaio, a cobrança ultrapassa R$ 1,3 milhão, valor considerado incompatível com a realidade financeira da entidade, que sobrevive de cursos e mensalidades.
O presidente do Aeroclube do Amazonas, Cassiano Ouroso, contesta a decisão judicial, alegando que a matrícula utilizada pela Infraero para fundamentar a posse é de 1976 e desconsidera títulos legítimos mais antigos. Ele também destaca que há uma querela tramitando na Justiça Federal em relação a essas questões e solicita apoio da Justiça Federal para reverter a situação.
O Aeroclube do Amazonas é uma instituição histórica que já formou centenas de pilotos e profissionais da aviação civil. Além disso, realiza voos aeromédicos e conecta o Amazonas ao interior do estado. A possível desocupação do aeródromo representa uma ameaça ao legado da aviação na região Norte do Brasil.





