Manaus | 4 de junho de 2026 | 07:43:49

Julgamento dos acusados do caso Marielle acontece nesta semana

Foto:Divulgação


Após mais de seis anos de espera, o júri popular dos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz, acusados do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, acontecerá nesta quarta feira (30). O crime, que ocorreu em 14 de março de 2018, chocou o Brasil e o mundo, sendo amplamente considerado um ataque à democracia e aos direitos humanos.


A data do julgamento foi definida pelo juiz Gustavo Kalil, do 4º Tribunal do Júri, durante uma reunião com representantes do Ministério Público, assistentes de acusação e defesa. Kalil enfatizou a importância de limitar a presença no plenário a apenas aqueles diretamente envolvidos no processo, buscando evitar aglomerações e tumultos.

Marielle Franco, vereadora pelo PSOL e defensora dos direitos humanos, foi morta a tiros enquanto voltava de um evento no Lapa com seu motorista, Anderson Gomes, que também foi alvo dos disparos.

Além deles, uma assessora da vereadora foi ferida por estilhaços. O caso rapidamente atraiu atenção internacional, evidenciando a violência contra defensores dos direitos humanos no Brasil.


A investigação que se seguiu foi complexa e cheia de reviravoltas, culminando na prisão de Lessa e Queiroz, ex-PMs acusados de executar o crime. Recentemente, os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram presos, apontados como mandantes, junto com o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa. O processo que envolve esses mandantes está em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF).

O Instituto Marielle Franco classifica o julgamento como um momento decisivo na luta por justiça. Em nota, a organização ressalta: “Foram 78 meses e mais de 2 mil dias de luta. A nossa força nos trouxe até aqui, e neste mês a justiça, enfim, vai começar a ser feita.” A entidade enfatiza que o júri popular é um marco não apenas para as famílias de Marielle e Anderson, mas para todos que buscam um Brasil mais justo.


Neste domingo (27), em homenagem à vereadora, a família de Marielle realizou uma missa no Cristo Redentor, organizada por sua mãe, Marinete Silva, seu pai, Antonio Francisco, e sua filha, Luyara Franco. Este gesto simboliza a dor e a luta contínua da família pela justiça.

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No dia do julgamento, 30 de outubro, o Instituto Marielle Franco, a Anistia Internacional e outras organizações do Comitê Justiça por Marielle e Anderson planejam um ato em memória da vereadora e do motorista. O evento está programado para ocorrer às 7h, em frente à sede do Tribunal de Justiça do Rio. Ativistas se reunirão com faixas, cartazes e lenços, exigindo justiça e reparação, com a presença da família de Marielle.

O Brasil continua sendo um dos países mais perigosos para defensores dos direitos humanos. Um relatório da Global Witness aponta que, em 2023, o Brasil ocupou a segunda posição no ranking de assassinatos de ativistas e ambientalistas, com 25 mortes registradas. Entre 2012 e 2023, foram 401 defensores assassinados no país.

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