Manaus | 4 de junho de 2026 | 10:15:56

Jornal aponta uso indevido do TSE por Moraes na investigação de bolsonaristas

Repercute nas redes sociais uma matéria produzida pelo jornal Folha de São Paulo, que traz informações de que o gabinete de Alexandre de Moraes, ministro do STF, teria solicitado informalmente, por meio de mensagens, a elaboração de relatórios pela Justiça Eleitoral. Esses documentos foram utilizados para fundamentar decisões do próprio ministro em ações contra apoiadores de Bolsonaro no âmbito do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal, tanto durante quanto após as eleições de 2022.

Conversas obtidas pela reportagem indicam que o setor de combate à desinformação do TSE, presidido por Moraes na época, foi instrumentalizado como uma espécie de extensão investigativa do gabinete do ministro no STF.

As mensagens revelam um processo que foge ao rito formal, com o TSE sendo usado para investigar e fornecer material para um inquérito em andamento no STF, envolvendo temas ligados ou não às eleições daquele ano.

A Folha teve acesso a mais de 6 gigabytes de mensagens e arquivos trocados via WhatsApp entre auxiliares de Moraes, incluindo seu principal assessor no STF, que ainda ocupa o cargo de juiz instrutor (uma espécie de assistente de Moraes no gabinete), além de outros membros de sua equipe no TSE e no Supremo.

Em certos trechos das conversas, os assessores relataram o descontentamento de Moraes com a demora na execução de suas ordens. “Vocês querem que eu faça o laudo?”, disse Moraes em uma das mensagens. “Ele cismou. Quando ele cisma, é uma tragédia”, comentou um dos assessores. “Ele tá bravo agora”, afirmou outro.

A maior parte dos pedidos informais de relatórios – todos feitos via WhatsApp – foi direcionada pelo juiz instrutor Airton Vieira, o assessor mais próximo de Moraes no STF, a Eduardo Tagliaferro, um perito criminal que na época liderava a AEED (Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação) do TSE. Tagliaferro deixou o cargo no TSE em maio de 2023, após ser preso sob suspeita de violência doméstica contra sua esposa, em Caieiras (SP).

Consultados pela reportagem por meio da assessoria do STF e informados sobre o conteúdo das mensagens, Moraes e o juiz Airton Vieira não responderam. Tagliaferro afirmou que não se manifestaria, mas disse que “cumpria todas as ordens que me eram dadas e não me recordo de ter cometido qualquer ilegalidade”.

As mensagens revelam que Airton Vieira (STF) solicitava informalmente, via WhatsApp, ao funcionário do TSE relatórios específicos sobre aliados de Bolsonaro, os quais eram então enviados da Justiça Eleitoral para o inquérito das fake news no STF. Esses pedidos e envios de relatórios ocorreram entre agosto de 2022, durante a campanha eleitoral, e maio de 2023.

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