Não basta ser primeira-dama; é preciso ser uma marca. Rosângela da Silva, mais conhecida como Janja, parece empenhada em consolidar seu nome como uma referência midiática, com direito a festivais e encontros financiados com o dinheiro de estatais que deveriam estar focadas em suas funções primárias, e não em promover eventos de imagem. Esse é o caso do “Janjapalooza” — oficialmente chamado de Aliança Global Festival Contra a Fome e a Pobreza —, que se inicia no Rio de Janeiro sob o generoso patrocínio de empresas públicas como Petrobras, Itaipu e outros.
Para dar ainda mais brilho à programação, Janja escolheu, entre outros, o youtuber Felipe Neto, famoso por apoiar Lula nas eleições de 2022, e estrelas da música que “fizeram o L”. Entre eles, Zeca Pagodinho, Alceu Valença e Daniela Mercury — artistas que não precisariam dos “simbólicos” R$ 30 mil oferecidos, mas que aceitaram somar-se a essa demonstração de alinhamento cultural. Esses cachês podem até ser simbólicos para alguns, mas, ao todo, o evento movimenta cerca de R$ 900 mil apenas em pagamentos aos artistas, sem contar os custos de produção e segurança.
E de onde vem o dinheiro? Itaipu e Petrobras, empresas estatais cujo lucro é essencial para os cofres públicos, destinaram juntas mais de R$ 33 milhões para o “Janjapalooza” e eventos relacionados. Isso em um cenário onde a inflação afeta cada vez mais o bolso dos brasileiros, e onde faltam investimentos em saúde, educação e segurança.
A estratégia é clara: consolidar Janja como uma figura cultural e humanitária, uma “líder moderna” aos olhos do público, tudo bancado com o dinheiro do contribuinte. Em vez de utilizar sua posição para promover políticas estruturais contra a pobreza e a fome, Janja opta pelo marketing de eventos, pela autopromoção e pela escolha seletiva de artistas que reforçam sua agenda pessoal.
Em tempos em que a política se confunde com entretenimento, vale a pena refletir sobre o custo e o benefício dessas escolhas. Promover a cultura e o lazer é fundamental, sem dúvida; no entanto, é essencial que haja um equilíbrio entre o espetáculo e o comprometimento com um projeto sério de transformação social. Do contrário, corremos o risco de viver sob a velha política do “pão e circo”, onde o brilho das festas esconde, ainda que momentaneamente, o peso das questões não resolvidas.










