O senador Izalci Lucas (PL-DF), membro titular da CPMI do INSS, viveu um momento de constrangimento durante as discussões da comissão. O parlamentar admitiu publicamente que, ainda em 2018, durante o processo de transição de governo, levou ao então presidente eleito Jair Bolsonaro denúncias sobre o esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
A revelação gerou repercussão imediata porque, ao longo dos quatro anos do governo Bolsonaro, nenhuma investigação efetiva foi aberta para enfrentar a chamada “máfia dos consignados”, que provocou prejuízos bilionários a beneficiários do INSS.
Fraudes atravessaram diferentes governos
Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal, os problemas no sistema começaram a ganhar corpo ainda em 2015, no fim do governo Dilma Rousseff, e persistiram durante o governo Michel Temer. No entanto, foi a partir de 2019, já no governo Bolsonaro, que o esquema explodiu em volume e impacto.
Uma auditoria apontou que, entre 2019 e 2024, o rombo chegou a R$ 6,3 bilhões em descontos suspeitos. A prática se intensificou após a mudança de regra que passou a exigir a revalidação dos contratos apenas a cada três anos, e não mais anualmente, facilitando a ação de entidades e sindicatos que inflaram artificialmente a base de “associados”.
Izalci sob pressão
Na CPMI, adversários políticos lembraram a omissão e cobraram explicações sobre por que, mesmo tendo conhecimento do problema desde a transição de 2018, o governo Bolsonaro não tomou medidas para coibir o esquema. O próprio Izalci tentou se defender, alegando que foi relator da Medida Provisória 871, que buscou endurecer regras no INSS, mas o argumento não foi suficiente para evitar as críticas.
A cobrança é de que, se as denúncias foram de fato apresentadas ao presidente eleito, o governo tinha obrigação de agir com firmeza para evitar que aposentados e pensionistas fossem lesados.
Contradição política
Hoje, Izalci Lucas tenta assumir protagonismo na CPMI, apresentando centenas de requerimentos de convocação e quebra de sigilos. Porém, a lembrança de que sabia do problema desde 2018 e nada aconteceu durante o governo que integrou coloca o senador em uma posição frágil.





