Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:26:39

Influenciadores digitais são alvos de operação da polícia civil por envolvimento em esquema de jogos ilegais e lavagem de dinheiro

imagem reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta quinta-feira (7), a Operação Desfortuna, visando 15 influenciadores digitais acusados de promover jogos de azar ilegais, como o popular “Tigrinho”, em suas redes sociais. O esquema, que movimentou cerca de R$ 4,5 bilhões, envolvia o uso de plataformas não autorizadas e ações fraudulentas, incluindo lavagem de dinheiro e estelionato.

Os influenciadores investigados, entre os quais se destacam Bia Miranda (9,7 milhões de seguidores), Paola Ataíde (6 milhões) e Buarque (2,8 milhões), teriam incentivado seus seguidores a apostar em caça-níqueis online. A polícia revelou que os valores das apostas eram disfarçados em empresas de fachada e instituições financeiras intermediárias, facilitando a lavagem de dinheiro. Além disso, a quadrilha também operava com promessas de lucro fácil e rápido, exibindo um estilo de vida luxuoso como forma de atrair mais apostadores.

Prisões e mandados de busca e apreensão

A operação cumpre 31 mandados de busca e apreensão em Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, e resultou na prisão de um dos influenciadores, Maumau (3,5 milhões de seguidores), que foi flagrado com uma arma em sua residência em Arujá, SP. O influenciador, conhecido por seus vídeos de humor e por participações no podcast PodPah, ostenta nas redes sociais um padrão de vida de luxo, com carros caros e outros bens de alto valor.

Investigações financeiras

Os investigadores apontam que os envolvidos estavam escondendo seus lucros em contas pessoais, com movimentações suspeitas que somam cerca de R$ 40 milhões entre 2022 e 2024, conforme relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A polícia também identificou a atuação de empresas de fachada para ocultar a origem ilícita dos recursos. A operação visa desmantelar não apenas a rede de promoção de jogos ilegais, mas também as ramificações da organização criminosa que envolve operadores financeiros e lavagem de dinheiro.

A ostentação e o engano nas redes sociais

Os influenciadores investigados utilizavam suas plataformas para promover os jogos ilegais e ostentar um estilo de vida luxuoso, exibindo carros caros, imóveis de alto padrão e viagens internacionais. A polícia classifica esses comportamentos como “sinais claros de enriquecimento incompatível com a renda declarada”, reforçando a suspeita de que os lucros estavam sendo obtidos de maneira ilícita.


Confira os influenciadores envolvidos na operação e o número de seguidores de cada um:

  • Bia Miranda: 9,7 milhões
  • Paola Ataíde: 6 milhões
  • Tailane Garcia: 4,5 milhões
  • Paulina Ataíde: 4,4 milhões
  • Maumau ZK: 3,5 milhões
  • Buarque: 2,8 milhões
  • Jenny Miranda: 1,2 milhão
  • Nayara Silva Mendes: 491 mil
  • Lorrany Rafael Dias: 343 mil
  • Samuel Sant Anna da Costa: 294 mil
  • Vanessa Vatusa Ferreira: 203 mil
  • Mohammed MDM: 195 mil
  • Luiza Ferreira: 112 mil
  • Micael dos Santos de Morais: 15 mil

O papel das redes sociais no esquema

As redes sociais têm se tornado um campo fértil para a promoção de práticas ilegais, como os jogos de azar online. Influenciadores com milhões de seguidores têm a capacidade de atingir grandes audiências, o que os torna alvos de investigação em casos como este. A ação da Polícia Civil do Rio de Janeiro é um alerta para a atuação das autoridades contra o uso das plataformas digitais para promover atividades ilícitas.

O impacto da operação

A Operação Desfortuna está apenas começando, e mais prisões e apreensões podem ocorrer à medida que as investigações se aprofundam. A ação é um passo importante na luta contra a lavagem de dinheiro e os jogos de azar ilegais, e demonstra o crescente envolvimento das autoridades na regulação das atividades no mundo digital.

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