Treze pessoas morreram depois que o fogo atingiu o complexo de discotecas de Múrcia; local era construído com material sintético, papel nas paredes, carpetes e madeira.
O primeiro andar da discoteca La Fonda, em Múrcia, tornou-se, na manhã de domingo, uma armadilha mortal após um incêndio do qual pelo menos 13 pessoas não conseguiram escapar. É o piso onde ficam as áreas reservadas para os clientes, por exemplo, que fazem alguma comemoração no estabelecimento. São espaços supostamente privilegiados, em altura, com vista para a zona central do salão. Porém, o acesso e a saída não eram fáceis. E menos ainda entre chamas. Uma jovem que frequenta o estabelecimento descreveu a área no domingo como “um labirinto”.
— Tem uma escada, mas depois é preciso passar por um corredor para chegar aos estandes — disse ela.
Esta foi uma referência ao fato de estes espaços fechados terem sido concebidos em estilo de camarote de teatro, com acesso e saída por um corredor posterior que percorria todo o piso, em forma de ferradura.
— Só havia uma escada — disse a jovem às portas do Palácio Desportivo de Múrcia, onde familiares e amigos dos desaparecidos se reuniam para receber ajuda psicológica.
Pelo menos 13 pessoas morreram no incêndio, embora não esteja descartado que haja mais mortos. Duas pessoas ainda têm paradeiro desconhecido. Outras três pessoas consideradas desaparecidas foram encontradas em boas condições de saúde.
A prefeitura de Múrcia afirmou, nesta segunda, que o fechamento da boate havia sido ordenado em 2022.
Local tinha materiais inflamáveis
Entrar na Fonda Milagros transportava o cliente para quase todos os países da América Latina. Decorações simulando folhas de palmeira, vegetação, ainda que de plástico, e “vallenatos, cumbias e rancheras” como trilha sonora. Era um local frequentado, sobretudo, pela comunidade latina de Múrcia, mas entre os seus clientes também havia espanhóis. Muito material sintético, papel nas paredes, carpetes, madeira: tudo que nos fazia viajar para aquele ambiente caribenho virou combustível.
As equipas de resgate continuam a revistar os destroços, disse a polícia.
Até ao momento não se sabe a origem do incêndio que atingiu as discotecas Teatre, Golden e La Fonda. A porta-voz da boate Teatre, María Dolores Abellán, explicou aos meios de comunicação que o fogo começou na boate La Fonda, local que conta com pista de dança e restaurante, e não no Teatre, como inicialmente noticiado.
Três das cinco pessoas dadas como desaparecidas foram encontradas sãs e salvas na manhã de segunda-feira, segundo o prefeito de Múrcia, José Ballesta. “As famílias deles pensaram que eles poderiam ter estado no clube, mas descobriu-se que não”, disse ele à rádio Onda Cero, acrescentando que dois deles passaram o fim de semana fora da cidade.
Até às 7h30 de segunda-feira (horário local), disse Ballesta, nenhum outro corpo havia sido encontrado. Mas a polícia disse temer que o número de mortos pelo incêndio ainda possa aumentar.





