Viajar para descansar? Para muita gente, isso já não é o suficiente. Uma nova geração de turistas está trocando o ócio total por experiências que exigem preparo físico, superação e contato com a natureza. É o “hype da saúde” chegando também nas férias e transformando o turismo em algo mais ativo, intenso e transformador.
Em vez de deitar na praia com um drinque na mão, esses viajantes preferem nadar dezenas de quilômetros, correr por montanhas ou pedalar por dias a fio. Para eles, as férias são uma oportunidade de testar limites, fortalecer o corpo, limpar a mente e voltar para casa com histórias de superação.
O UltraSwim 33.3, na Croácia, é um exemplo dessa nova onda. Durante quatro dias, os participantes nadam 33,3 km em águas abertas, cruzando ilhas e enseadas do mar Adriático. O evento combina desafio físico com hospedagem confortável, boa gastronomia e paisagens de tirar o fôlego. “Quis criar algo que fosse um cruzamento entre corrida, aventura e férias”, diz o fundador, Mark Turner.
Para muitos, a experiência é um divisor de águas. A britânica Alison King, 56 anos, participou do evento após criar os filhos e sentir que precisava de um novo estímulo. “No começo achei que não conseguiria, mas terminei forte, calma e feliz. Foi um reset na minha vida”, conta.
E não é só a natação que está em alta. O UTMB World Series, circuito global de ultramaratonas de montanha, recebe 200 mil corredores por ano. No ciclismo, a Race Across France saltou de 300 participantes em 2021 para 1.400 em 2024, com provas que chegam a 2.500 km. Até o deserto e o gelo entraram na lista: há corridas de 250 km pelo Saara e travessias de esqui no Círculo Polar Ártico.
O que antes era nicho agora é mercado em expansão. A lógica é simples: em uma era em que saúde, autocuidado e performance física viraram prioridade, até as férias refletem esse novo estilo de vida. Mais do que lazer, essas viagens são vistas como investimento no corpo, na mente e no espírito, um tipo de lembrança que não cabe na mala, mas acompanha pelo resto da vida.






