Na última semana, em Portugal, o homem mais idoso vivendo com HIV que se tem conhecimento completou seu centésimo aniversário esbanjando saúde e vitalidade, segundo o Plus, um dos maiores portais de notícias relacionadas com o tema HIV/Aids do mundo.

O senhor, cuja identidade é mantida em sigilo a pedido da família com o objetivo de manter sua privacidade, é conhecido como “O Paciente de Lisboa”. Teve o diagnóstico da sua infecção por HIV em 2004, quando tinha 84 anos de idade, na ocasião da descoberta de um linfoma, um tipo de câncer das células da imunidade.

Por mais que na ocasião tenha havido certa dúvida entre a equipe médica quanto ao benefício do tratamento intensivo do câncer com quimioterapia em uma pessoa idosa e com HIV já em estágio avançado da doença, o pacote completo de tratamento foi oferecido. E o resultado foi o total sucesso tanto da cura do linfoma quanto do controle do HIV.

Muitas coisas poderiam ter dado errado na história desse senhor português, mas seu empenho e boa adesão ao tratamento o ajudaram a pegar todos os melhores caminhos, podendo celebrar hoje seu centenário com saúde.

O caso em questão ilustra bem a mudança que ocorreu na última década na perspectiva e na expectativa de vida das pessoas que vivem com HIV em todo mundo.

Já é bem conhecido que a população mundial está envelhecendo como resultado da melhora da atenção à saúde e da medicina. Com as pessoas que vivem com HIV não é diferente.

As pessoas têm se infectado cada vez mais velhas por terem uma vida sexual mais longa, e aqueles já infectados com o vírus têm vivido até idades cada vez mais avançadas.

O tratamento dessa infecção e das suas comorbidades tem evoluído tanto que alguns trabalhos, como esse do Reino Unido, já conseguiram demonstrar que a expectativa de vida de uma pessoa que vive com HIV pode ser até maior do que a de uma pessoa soronegativa. Basta que tenha acesso e boa adesão ao tratamento antirretroviral e a todo o pacote de promoção da saúde.

Isso não significa que o vírus faz com que a pessoa viva mais. O HIV leva a pessoa ao médico e a mantém em acompanhamento regular, possibilitando o diagnóstico precoce de intercorrências da saúde e as intervenções para resolvê-las.

Exemplos disso são a ajuda para o abandono de um tabagismo antigo ou a identificação e o tratamento de uma hipertensão arterial durante as consultas de retorno.

O HIV proporciona a reflexão sobre o que é de fato o cuidado integral da saúde. Algo muitas vezes deixado de lado por indivíduos que, por não terem sintomas, acreditam estar com a saúde em dia, até que ocorra alguma complicação desse descuido.

A mudança da última década foi que a infecção por HIV deixou de ser motivo para se pensar em morte, e sim em vida. Vida longa e de qualidade.

Parabéns pelos 100 e por todos os anos de vida das pessoas que vivem com HIV.