Manaus | 4 de junho de 2026 | 15:37:10

Gusttavo Lima é indiciado por lavagem de dinheiro e crime organizado

Foto: Reprodução Instagram

O cantor Gusttavo Lima foi indiciado no dia 15 de setembro pela Polícia Civil de Pernambuco, sob a suspeita de envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. O sertanejo, um dos maiores nomes da música brasileira, é apontado como parte de um esquema investigado pela Operação Integration, que já mira 53 alvos em todo o país, incluindo a influenciadora Deolane Bezerra, bicheiros e empresários. A defesa de Gusttavo Lima nega as acusações e alega que todos os seus contratos são legais.

O indiciamento é apenas o primeiro passo no processo judicial. Agora, cabe ao Ministério Público decidir se vai denunciar o cantor à Justiça ou arquivar o caso. A operação apura o uso de contratos de shows, negociações de aeronaves e o envolvimento de empresas de apostas como meios para ocultar a origem de recursos ilícitos.

Cofre Milionário e Transações Suspeitas

Durante as investigações, a Polícia Civil de Pernambuco encontrou cerca de R$ 150 mil em dinheiro vivo, além de notas em dólares e euros, na sede da Balada Eventos e Produções, empresa de shows de Gusttavo Lima, localizada em Goiânia (GO). A quantia levantou suspeitas de lavagem de dinheiro. No entanto, a defesa do cantor argumentou que o dinheiro no cofre seria utilizado para pagamento de fornecedores.

Um dos principais pontos da investigação é a compra e venda de aeronaves. De acordo com a polícia, o primeiro avião foi adquirido pela empresa Sports Entretenimento, de Darwin Henrique da Silva Filho, membro de uma família de bicheiros de Recife, que revendeu a aeronave dois meses depois, alegando problemas técnicos. A transação, segundo os investigadores, teve contratos emitidos e desfeitos no mesmo dia, sem que houvesse provas documentais de reparos na aeronave. Na sequência, o avião foi vendido novamente para a J.M.J Participações, do empresário José André da Rocha Neto, também investigado na operação.

A polícia acredita que essas negociações envolveram dinheiro de origem ilícita, oriundo de jogos de azar, como o jogo do bicho e apostas online, que teria sido misturado a recursos lícitos para “lavar” o dinheiro. As transações suspeitas envolvem também um helicóptero, que foi negociado entre empresas de Rocha Neto e de Gusttavo Lima, sendo devolvido ao cantor como parte de pagamento em uma das operações.

Envolvimento com Empresas de Apostas

Outro ponto que levou ao indiciamento foi o suposto envolvimento de Gusttavo Lima com a empresa de apostas Vai de Bet, que está sob investigação por lavagem de dinheiro. Em julho de 2023, o cantor se tornou sócio da marca, com participação de 25%. A defesa nega que ele seja proprietário oculto da empresa, afirmando que ele apenas tem direito a uma fatia da venda futura da marca. No entanto, os investigadores encontraram um documento que levanta suspeitas de que o envolvimento do cantor com a empresa tenha começado muito antes.

Além disso, a Polícia Civil descobriu 18 notas fiscais sequenciais emitidas no mesmo dia, totalizando R$ 8 milhões, referentes à utilização da imagem e voz de Gusttavo Lima para a empresa PIX365, que administra a Vai de Bet. Para os investigadores, isso pode ser outro indício de tentativa de mascarar transações financeiras ilícitas.

Viagem à Grécia e Prisão Temporária

Outro fator que gerou polêmica foi a viagem de Gusttavo Lima para a Grécia, onde ele comemorou seu aniversário em um iate de luxo com amigos, incluindo o empresário José André da Rocha Neto e sua esposa, Aissla, também investigados pela Operação Integration. Durante o retorno ao Brasil, Rocha Neto e sua esposa foram considerados foragidos pela justiça, o que levantou suspeitas de que o cantor teria ajudado o casal a fugir. O cantor, no entanto, negou ter qualquer proximidade com os empresários.

Com base nesses fatos, a polícia decretou a prisão temporária de Gusttavo Lima em 16 de setembro. A decisão, porém, foi revogada em segunda instância menos de 24 horas depois, e o cantor foi liberado para responder ao processo em liberdade.

A defesa do artista mantém a posição de que ele é inocente e que todas as suas negociações ocorreram dentro da legalidade, sem qualquer ocultação de patrimônio ou envolvimento com atividades ilícitas. O caso segue em investigação, e novas etapas do processo podem ser divulgadas nas próximas semanas.

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