Recentemente, um novo golpe envolvendo uma suposta instituição financeira chamada Pay2free tem chamado a atenção das autoridades e preocupado consumidores. A empresa, que se apresenta como fornecedora de soluções financeiras, pode fazer parte de uma organização criminosa que está desviando grandes quantias de dinheiro.
O modus operandi da Payfree envolve o envio de SMS e de e-mails bem elaborados alertando os clientes de diversos bancos que foi efetuada uma ficta compra de determinado valor, e que se o mesmo não reconhecer deveria entrar em contato com um número que disponibilizam. O cliente ao clicar para entrar em contato automaticamente já concordou e caiu na armadilha.
Daí em diante o que se vê é uma sequência de supostos atendimentos ao consumidor que vai o instruindo até confirmar os bloqueios das quantias, que na verdade são as transferências de dinheiro para contas registradas em nome da empresa Pay2Free. O grupo criminoso tem atacado todo tipo de pessoa, inclusive aquelas que recebem os auxílios governamentais.
Foi o caso da Personal Trainer, Leda Ferraz, 49, que afirmou ter recebido um email supostamente do Nubank, do qual é correntista há mais de cinco anos, informando que havia uma compra “em resguardo no valor de R$ 2.487,09, no Mercado Livre, dia 29/05”.
“Na hora eu estava com outro problema familiar e nem prestei atenção, liguei para o número que eles disponibilizaram e foi nesse momento que caí no golpe”. A partir daí uma atendente conversou comigo, me instruindo passo a passo para eu recuperar o dinheiro, chegou até a a me instruir para “bloquear” a função transferência por pix, de forma que me sentisse segura durante a transação, mas na verdade o Nubank bloqueia pix para pessoa física e deixa livre pessoa jurídica e, dessa forma, enviei todo meu dinheiro ao CNPJ dos golpistas sem perceber, lamentou Lêda.
Diversas vítimas relataram ter caído no mesmo golpe, acreditando na legitimidade das informações devido à aparência profissional dos e-mails e ao uso de termos técnicos financeiros. Após realizarem as operações, no entanto, as vítimas percebem que a empresa desaparece, não respondendo mais a nenhum tipo de comunicação.
O curioso é que a empresa Pay2Free possui CNPJ e a pessoa que se apresenta como CEO, Pedro Soares Fraiha, tem um bom relacionamento no meio empresarial de Minas Gerais, pelo menos é o que se pode constatar ao buscar informações na internet. Com a Pay2Free, ele é um dos expositores participantes do BIS Sigma Americas, um dos mais importantes eventos do ecossistema de iGaming, Bettech e apostas esportivas do Brasil e América Latina, realizado anualmente em São Paulo.
Pedro Fraiha se apresenta na internet como economista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), mestre em Ciência Política no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, e atua como consultor em pesquisa de mercado e analista de políticas públicas.
A empresa dele é alvo de centenas de denúncias de golpe no site ReclameAqui, e a avaliação dos internautas sobre a Pay2Free nos últimos 6 meses é de 4.3 de 10 possíveis.
Especialistas em segurança cibernética alertam para a necessidade de cautela ao lidar com e-mails de instituições financeiras. Verificar a autenticidade do remetente e desconfiar de ofertas que pareçam boas demais para serem verdades.
O NuBank foi procurado pela reportagem mas não respondeu às perguntas. Outras instituições bancárias afirmaram que não fazem cobrança e nem informam bloqueio de compras por email.
As autoridades já estão investigando as denúncias que acusam a Pay2Free de aplicar golpes na internet, se aproveitando da pouca experiência e conhecimento das pessoas. Enquanto isso, recomendam que caso que tenha recebido comunicações suspeitas da empresa ou sido vítima do golpe entre em contato imediatamente com a polícia e registre uma denúncia.
Este caso serve como um lembrete da importância da vigilância e da educação financeira para evitar armadilhas que podem resultar em prejuízos significativos.




