Com real desvalorizado em relação a moedas como dólar e euro, turistas que fizeram viagens internacionais em setembro controlaram despesas.

Os gastos de brasileiros no exterior recuaram 14% em setembro na comparação com agosto e atingiram o menor patamar desde maio de 2016: R$ 1,189 bilhão, de acordo com dados do Banco Central, divulgados nesta quinta-feira (25).

No acumulado de janeiro a setembro também houve queda. Foram gastos US$ 13,87 bilhões neste ano, contra US$ 14,14 bilhões no ano passado.

Por outro lado, os estrangeiros que visitaram o Brasil em setembro deixaram US$ 373 milhões em gastos no território nacional: o menor nível registrado desde junho de 2010.

O saldo da balança de turismo — diferença entre o que os brasileiros gastaram no exterior e o que os estrangeiros deixaram no Brasil — ficou negativo em US$ 9,36 bilhões, entre janeiro e setembro.

O real enfraquecido em relação a moedas como dólar, euro e libra prejudicou viajantes brasileiros que fizeram viagens internacionais desde o fim de abril, quando o cenário eleitoral começou a gerar incertezas no mercado financeiro.

O chefe-adjunto do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Renato Baldini, explica que “as despesas com viagens são bastante sensíveis à taxa de câmbio”. “Os gastos em setembro deste ano foram os menores desde maio de 2016. O câmbio médio em setembro ficou em R$ 4,12, ante R$ 3,13 em setembro do ano passado”, explicou.

O dólar chegou a registrar o maior valor desde a criação do Plano Real (R$ 4,19), no dia 13 de setembro.

O balanço das contas externas — que inclui comércio exterior, investimentos, transportes e outras despesas — ficou positivo em US$ 32 milhões no mês passado.

No acumulado entre janeiro e setembro, o saldo está negativo em US$ 7,43 bilhões. No mesmo período do ano passado, o déficit era de US$ 2,74 bilhões.