Durante a cúpula do G20 no Rio de Janeiro, o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul voltou ao centro das atenções. Enquanto líderes sul-americanos e europeus, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, buscavam avançar nas negociações, agricultores franceses intensificaram os protestos contra o tratado.
Os manifestantes bloquearam estradas com tratores, despejaram estrume em frente a prefeituras e esvaziaram tanques de vinho provenientes da Espanha, em uma série de ações para demonstrar insatisfação. O ponto alto das manifestações ocorreu na rodovia A9, onde agricultores derrubaram barris e espalharam churume, provocando bloqueios e transtornos.
Os agricultores afirmam que o acordo UE-Mercosul, que está em negociação há mais de 20 anos, ameaça a competitividade dos produtores franceses, permitindo a entrada de produtos agrícolas sul-americanos mais baratos e com padrões ambientais e sanitários menos rígidos.
“Somos contra o Mercosul porque isso seria a morte da nossa agricultura francesa”, declarou Benjamin Bejada, produtor de grãos. A frase reflete a principal preocupação dos manifestantes: a dificuldade de competir com os produtos importados do Mercosul, especialmente carne e grãos, que chegariam a preços mais baixos ao mercado europeu.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também demonstrou resistência ao tratado, enfatizando que a França não assinará o acordo nos termos atuais. Macron defende uma renegociação que considere padrões mais rígidos de proteção ambiental e que garanta a competitividade dos agricultores europeus.
As tensões geradas pelos protestos reforçam os desafios para a ratificação do acordo, que exige a aprovação unânime dos países membros da UE. Enquanto isso, líderes sul-americanos, como o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro, expressaram otimismo de que o tratado possa ser finalizado em breve.





