CAMPO GRANDE (MS) – O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou claro quem é sua favorita para compor a chapa presidencial em 2026, mas manteve o freio de mão puxado quanto ao anúncio oficial. Durante a abertura da 86ª Expogrande, Flávio classificou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como o “sonho de consumo” de qualquer candidato, embora tenha ressaltado que a escolha da vice ainda não está selada.
Apesar do entusiasmo, o parlamentar manteve o freio de mão puxado quanto à oficialização da chapa. A estratégia é clara: fortalecer o nome de Tereza perante o eleitorado conservador e o agronegócio, sem, no entanto, fechar as portas para as negociações que ainda precisam amadurecer entre o PL e o Progressistas (PP).
“Vozinha” e Referência Mundial
Flávio Bolsonaro utilizou um tom que mesclou a admiração técnica com a proximidade pessoal. “Tereza é sonho de consumo de todo mundo. Eu até brinquei com ela, eu chamo ela de vozinha, porque ela é muito parecida com a minha vó, é uma forma carinhosa de chamar alguém que eu respeito demais”, revelou o senador, buscando humanizar a figura da ex-ministra.
Para o “01” de Jair Bolsonaro, o legado de Tereza à frente do Ministério da Agricultura é o principal ativo político da senadora. “Para mim, é uma das maiores referências do mundo no agro do Brasil. Nós tivemos o privilégio de tê-la como ministra e, mais para frente, vamos pensar com calma. Fico muito feliz de poder tê-la entre as possibilidades”, ponderou, reforçando que, embora ela seja a favorita, a “escalação” oficial ainda depende do tempo político.
O Jogo de Xadrez do Vice
Do outro lado, Tereza Cristina mantém o figurino de diplomata e evita o clima de “já ganhou”. Ciente de que a indicação para vice é fruto de uma construção coletiva entre legendas, a senadora afirmou sentir-se honrada com as declarações de Valdemar da Costa Neto e Flávio Bolsonaro, mas pregou cautela.
“Eu acho muito cedo para essa conversa. O vice é a última coisa. Ninguém se candidata a vice. O candidato é o presidente da República”, explicou a ex-ministra. Segundo ela, a formação de uma chapa é uma conjuntura que exige que os partidos coligados sentem à mesa para avaliar nomes e viabilidade eleitoral. “Acho que é muito cedo para essa conversa agora”, sentenciou.
Impacto no Setor Produtivo
A escolha de Mato Grosso do Sul e da Expogrande para tais declarações não foi por acaso. O estado é um dos pilares do agronegócio nacional e a base eleitoral de Tereza Cristina. Ao sinalizar uma possível chapa “puro-sangue” do campo, Flávio Bolsonaro tenta consolidar o apoio financeiro e político de um setor que foi base de sustentação do governo de seu pai.
O movimento também serve para medir a temperatura entre os caciques do PP. A união entre PL e PP em uma chapa majoritária criaria um bloco de direita com tempo de TV expressivo e uma capilaridade que cobre desde os grandes centros urbanos até as fronteiras agrícolas do país. Por enquanto, o que se vê é um namoro público intenso, mas a aliança formal segue aguardando o momento certo para o “sim” definitivo.







