Manaus | 24 de julho de 2026 | 11:19:30

Fim da linha para Chico Rato: líder do tráfico em Manaus é morto na maior operação da história do Rio

Foto: Erlon Rodrigues/PC-AM

O amazonense Douglas Conceição de Souza, conhecido como “Chico Rato”, apontado como chefe do tráfico de drogas no bairro Tancredo Neves, em Manaus, está entre os mortos da megaoperação policial contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro.

A informação foi confirmada nesta sexta-feira (31) pelo governador do Rio, Cláudio Castro, e pelo secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, em vídeo publicado nas redes oficiais do governo fluminense.

Segundo as autoridades, Chico Rato era considerado um dos líderes do CV no Amazonas e um dos criminosos mais perigosos da região Norte. Ele morreu durante a Operação Contenção, deflagrada na terça-feira (28), que resultou na morte de 119 suspeitos, 133 prisões e 118 armas apreendidas, incluindo 91 fuzis, a maior operação da história do estado em número de mortos.

Histórico violento em Manaus

Com 32 anos, Chico Rato acumulava uma longa ficha criminal. Em 2018, foi preso pelo assassinato dos irmãos Isaías e Hilmes Rabelo, ocorrido no dia 4 de dezembro de 2017, no Tancredo Neves. No ano seguinte, foi condenado a 40 anos de prisão pelo duplo homicídio.

Mesmo após a condenação, ele passou a cumprir pena em regime semiaberto, o que, segundo investigadores, facilitou sua volta ao comando do tráfico em Manaus. Além disso, ele respondia a outro processo por homicídio cometido em agosto de 2017, também no mesmo bairro.

Na época da prisão, o então delegado da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Juan Valério, afirmou que Chico Rato era o principal chefe do tráfico no Tancredo Neves e mantinha ligações diretas com João Branco, líder da extinta facção Família do Norte (FDN).

Com o enfraquecimento da FDN e a aproximação com o Comando Vermelho, Chico Rato teria ascendido na hierarquia do CV, tornando-se o principal representante da facção carioca no Amazonas.

Outros traficantes do Amazonas também morreram

Além de Chico Rato, outro amazonense identificado como “Gringo” também foi morto na operação. Segundo o governador do Rio, pelo menos sete criminosos do Amazonas estavam entre os 119 mortos.

A lista divulgada pela Secretaria de Segurança do Rio aponta ainda traficantes oriundos de diversos estados, como Pará, Bahia, Goiás, Ceará e Espírito Santo, o que reforça o caráter interestadual da facção Comando Vermelho.

Operação e cenário de guerra

A Operação Contenção mobilizou 2.500 agentes das polícias Civil e Militar com o objetivo de desarticular o Comando Vermelho e cumprir cerca de 100 mandados de prisão.

Os confrontos mais intensos ocorreram na Serra da Misericórdia, no Complexo da Penha, onde dezenas de corpos foram encontrados por moradores. Testemunhas relataram cenas de horror e compararam o local a um “campo de guerra”.

“Eu moro aqui há 58 anos. Nunca vi isso. Vai ser difícil esquecer”, disse uma moradora.

“A cidade está igual tragédia, como quando tem tsunami, com corpo em cima de corpo”, relatou outro morador.

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