Mensagens resgatadas do celular do tenente-coronel da Polícia Militar, Geraldo Leite Rosa Neto, revelam o tratamento humilhante dispensado à sua esposa, Gisele Alves Santana, também policial militar. Nos registros, o oficial utiliza termos como “fêmea beta submissa” para se referir à mulher, enquanto se autoproclama um “macho alfa soberano”.
Regras de Comportamento e Dominação
O conteúdo, obtido em relatórios da Polícia Civil, expõe uma lista de “regras” impostas pelo tenente-coronel. Ele proibia Gisele de usar roupas justas, de cumprimentar outros homens com beijos no rosto e exigia que ela mantivesse fotos do casal e o status de casada em todas as redes sociais para “desanimar outros machos”.
Em uma das passagens mais perturbadoras, Geraldo afirma: “Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa: com autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”.




“Rei, Religioso e Gostoso”
A autopercepção do agressor também chamou a atenção dos investigadores. Ao ser questionado pela esposa sobre a mudança de comportamento após o casamento, Geraldo respondeu com uma lista de adjetivos sobre si mesmo, afirmando ser “Rei, religioso, honesto, inteligente e gostoso”.
Enquanto o homem se colocava em um pedestal de “provedor”, Gisele manifestava claramente o desejo de encerrar a relação. “Quero o divórcio” e “Se considere divorciado” foram algumas das frases enviadas pela policial, que tentava desesperadamente romper o ciclo de abusos antes que o pior acontecesse.
O Perigo do Discurso “Alpha”
Especialistas alertam que o uso desses termos (“macho alfa”, “fêmea submissa”) tem crescido em comunidades digitais e serve, muitas vezes, para camuflar comportamentos de violência doméstica e cárcere psicológico. O caso segue sob investigação rigorosa, expondo que a violência contra a mulher não escolhe classe social ou farda.





