O general da reserva Mário Fernandes declarou à Polícia Federal ser o autor do texto que ficou conhecido como “Punhal Verde e Amarelo”. Segundo ele, tratava-se apenas de um exercício teórico, sem qualquer pretensão de execução, um rascunho baseado em um cenário hipotético de crise institucional.
Apesar do alarde na mídia, Fernandes afirmou que o material não tinha caráter operacional. “Foi um estudo estratégico. Não houve convocação, não houve plano de ação, apenas conjecturas”, declarou. O documento mencionava interceptações contra autoridades como o presidente Lula, o ministro Alexandre de Moraes e o vice-presidente Geraldo Alckmin, o que, segundo o general, foi incluído como parte de uma análise de possibilidades extremas, jamais transformada em intenção prática.
A confissão ocorre em meio a um ambiente de forte polarização. Muitos veículos classificaram o texto como parte de uma tentativa de golpe de Estado, narrativa que é contestada por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que enxergam exagero nas investigações e perseguição política nos desdobramentos judiciais.
A defesa de Mário Fernandes reforça que ele não cometeu crime algum, uma vez que não houve tentativa concreta, nem incitação, nem formação de grupo armado. A Polícia Federal segue apurando se o conteúdo foi compartilhado com outras pessoas e se existiu algum apoio, algo que ainda não foi comprovado.
Nos bastidores, a narrativa da “ameaça à democracia” continua sendo usada para justificar medidas severas que muitos consideram excessivas. Parlamentares da oposição têm criticado a seletividade das ações judiciais, que recaem majoritariamente sobre nomes ligados à direita, enquanto figuras de outros espectros políticos passam ilesas por situações graves.
A revelação do general reabre o debate sobre os limites entre liberdade de expressão, pensamento estratégico e criminalização de ideias, especialmente em um país onde divergência política tem sido tratada com cada vez menos tolerância.





