Manaus | 4 de junho de 2026 | 18:59:50

Exclusivo: Deputado Pablo fala sobre atividades no Congresso e relacionamento com Jair Bolsonaro

Eleito com mais de 151 mil votos para o cargo de deputado federal, o delegado de polícia federal do Amazonas, Pablo Oliva, conversou com a jornalista  Érika Passos, e falou abertamente sobre a votação do pacote anticrime no Congresso Nacional e também sobre sua relação com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Delegado Pablo, como é conhecido em Brasília, fez um breve balanço das atividades parlamentares no primeiro semestre do ano e também sobre sua atuação na CPI do BNDES na Câmara dos Deputados.

Chegamos ao fim do primeiro semestre de trabalho na Câmara dos Deputados. Como você avalia sua atuação neste período?

Os primeiros seis meses de trabalho na Câmara dos Deputados foram cheios de desafios e vitórias. Tive a oportunidade de montar Frente Parlamentar em Defesa da Amazônia. Também organizei a vinda do presidente Bolsonaro à Manaus, ocorrida no final de julho. Junto com minha equipe, apresentei uma boa quantidade de projetos de lei, além de ser indicado como relator de uma dúzia de outros projetos que estão em tramitação. 

Em relação ao seu Partido, o PSL, mesmo partido do presidente Bolsonaro, qual é o maior desafio? Existem vantagens e desvantagens em ser do mesmo partido do presidente?

O que acontece é o seguinte. Nós passamos, pela primeira vez, depois de vinte anos de governos de esquerda, por uma grande transição. E toda transição tem seus traumas e suas dificuldades.

Agora para fazer mudança de verdade, mexer em pastas e conceitos, aí você encontra resistência de todos os lados. Essa é a parte difícil.

Existe um novo projeto educacional para o Brasil. Isso encontra resistência em um grupo que não quer a mudança de verdade. Se a gente não mudar nossos números, nosso índice de qualidade de ensino vai cair. 

Estávamos com uma baixa qualidade na educação, e isso tem que mudar!

Estamos promovendo uma troca completa. Uma outra pegada. Recebemos muita cobrança da sociedade.

Acabei de vir de uma entrevista onde falávamos o que Bolsonaro vai fazer para resolver o problema dos treze milhões de desempregados. Mas isso não aconteceu nos últimos seis meses! Esse número vem diminuindo. A indústria vem pegando força e já mostra uma recuperação.

Nesta sexta-feira, dia 9 de agosto, a Frente Parlamentar em Defesa da Amazônia no Congresso Nacional realiza a primeira audiência pública em Manaus. Quais os assuntos serão abordados na reunião?

Na verdade essa audiência foi um pedido dos órgãos e instituições que atuam na região Amazônica.

Os prefeitos no interior, entidades de classe e instituições que atuam no Sul do Amazonas, entre outras, nos pediram para organizar documentos que serão encaminhados à Presidente da República e ao Ministério do Meio Ambiente.

Na reunião, vamos falar das unidades de conservação que foram criadas.

Antes de terminar o mandato da presidenta Dilma, várias unidades de conservação foram criadas na Amazônia, sem ouvir as populações envolvidas.  A criação dessas áreas acabou engessando o desenvolvimento econômico da região, principalmente do Sul do Amazonas. 

Além disso, queremos tirar do papel o programa Zona Econômica Ecológica (ZEE), que está em tramitação há mais de dez anos no Congresso Nacional.

A ideia é criar regiões específicas, que normalmente aqui no Amazonas são conhecidas como calhas de rio, para garantir que naquela região gente possa ter uma supressão alimentar controlada, manejo florestal, incentivo à pesca e mineração.

O que acontece hoje a é devastação ambiental e o garimpo ilegal, por isso o programa das ZEEs tem que sair do papel.

Outro exemplo é a Zona Franca de Manaus, que foi criada há 50 anos. O tempo passou e, até agora, ninguém criou mais nada.

Nós citamos a questão da legalização dos jogos, que é uma alternativa para atrair turistas para o Amazonas. O turismo de jogos é uma alternativa para movimentar a rede hoteleira e gerar novos empregos e renda. 

Eu posso fazer uma comparação entre mineração e cassinos. No Brasil é proibido extrair ouro, porém a mineração existe de forma clandestina e deixa nossas riquezas irem embora do Brasil. O mesmo problema acontece com os jogos, que são proibidos, porém ocorrem na clandestinidade, sem gerar empregos e impostos.

Outro assunto importante é a CPI do BNDS, que o deputado é um dos membros. Como estão as investigações sobre desvios de recursos no BNDES?

Estamos trabalhando na CPI para identificar e responsabilizar os culpados pelos desvios de recursos no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na CPI foram ouvidos diversos políticos, empresários e funcionários do BNDES. Entre os ouvidos está o ex ministro da Economia, Antônio Palocci, que afirmou que aproximadamente R$ 500 milhões foram desviados.

Um dia desses recebi um ‘meme’ que dizia que o presidente Bolsonaro estava fazendo maldade com o povo nordestino. Maldade é o que fizeram com o BNDES nos governos dos ex presidentes Lula e Dilma, quando criaram um porto em Cuba e não terminaram a transposição do rio São Francisco. Maldade com o nordestino é fazer o povo morrer na seca.

No final de julho, o presidente Bolsonaro veio a Manaus prestigiar os alunos de uma escola militar. É verdade que o convite foi feito por você?

Alguns alunos do colégio militar (CMPM 5) me conhecem e mandaram um vídeo para eu mostrar ao presidente. Nesses colégios militares a educação segue uma nova regra que privilegia a qualidade. E o presente quis ver essa melhoria na educação pública do Amazonas.

Bolsonaro gosta de ver o povo e ficar junto dele. O presidente foi parabenizar os alunos da melhor escola do mundo, o CMPM 5, eleita na Olimpíada Internacional de Matemática do Japão.

Hoje podemos conversar através das redes sociais. Tenho vários seguidores nas redes sociais que falam comigo diretamente. O presidente faz o mesmo, usando a internet para conversar diretamente com a população.

Um dia desses, Bolsonaro levou o ministro da Justiça, Sérgio Moro, para um estádio. Ele tirou o Sérgio daquela confusão do Congresso Nacional e o levou para o meio da população. Ficou comprovado que Sérgio Moro é um herói nacional.

E sobre o Pacote anticrime? Como está a tramitação no Congresso Nacional?

Eu adoro a questão do combate à criminalidade. E hoje eu gostaria muito de encontrar uma maneira de tirar os bandidos da rua. Durante anos fui delegado de polícia, por isso conheço vários casos que mostram o descontrole no combate ao crime no Brasil.

Um exemplo: Eu prendi um homem e, dois dias depois, ele estava de novo assaltando a população. 

Entre os artigos do pacote anticrime está o fim de vários benefícios concedidos aos presos. São benefícios concedidos lá nas décadas de 1940, 1950 e 1960 e que são inviáveis nos dias atuais.

Em suas considerações finais o deputado  garante força total na política local e nacional, além da criação de um simpósio para atrair pessoas interessadas em conhecer a política do partido.

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