O Tribunal do Júri que começa nesta terça-feira (26) em Sergipe vai julgar três ex-agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), acusados da morte de Genivaldo de Jesus Santos, que morreu após ser asfixiado durante uma ação policial em 2022. Os ex-policiais, Paulo Rodolpho Lima Nascimento, Kléber Nascimento Freitas e William de Barros Noia, enfrentam as acusações de tortura e homicídio triplamente qualificado. O julgamento será realizado no Fórum Estadual da Comarca de Estância e é considerado de grande repercussão, com a presença de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) e acompanhamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O caso ocorreu quando Genivaldo, diagnosticado com esquizofrenia, foi abordado por policiais por trafegar sem capacete. Ele foi imobilizado, agredido e colocado no porta-malas de uma viatura, onde foi exposto a gás lacrimogêneo e spray de pimenta. O uso das substâncias, combinado com o estresse da situação, resultou na morte da vítima, que faleceu antes de chegar ao hospital.
Os defensores dos réus alegam que não houve intenção de homicídio e que as ações estavam dentro do cumprimento das funções policiais. As investigações apontaram que o uso dos gases foi a principal causa da morte, com a perícia indicando substâncias tóxicas como monóxido de carbono e ácido sulfídrico.
Este julgamento é de alta complexidade e já gerou indenizações à família de Genivaldo, com um total superior a R$ 1,9 milhão. A União também foi condenada a pagar R$ 1,05 milhão por danos morais aos familiares. A expectativa é de que o julgamento, com duração prevista de sete dias, traga um desfecho para o caso, que gerou grande comoção e críticas à abordagem policial.






