SÃO PAULO – O desfecho de um dos crimes mais bárbaros registrados recentemente na capital paulista trouxe um misto de alívio e indignação. André de Lima Torres Pereira, de 34 anos, foi preso na noite de ontem (02), pela Polícia Civil após passar dias foragido pelo assassinato de sua ex-companheira, Nicole Mercer Merheje, e pela violência cometida contra a filha dela, uma bebê de apenas dois anos.
O corpo de Nicole foi encontrado no último domingo (1º), na Rua Joaquim de Almeida, bairro da Saúde. Ela estava nua, com marcas de agressão e sinais de asfixia. Ao lado do corpo, no berço, a filha da vítima foi resgatada em estado de choque, sem roupas e com indícios de violência sexual. A perícia acredita que mãe e filha tenham sido mantidas em cárcere privado antes do desfecho fatal.
Um Histórico de Falhas e Impunidade
A prisão de André revela um rastro de negligência estatal. Em 2024, ele já havia sido denunciado por outras duas mulheres e chegou a ser detido, mas foi colocado em liberdade. No caso de Nicole, o perigo era iminente: na quinta-feira anterior ao crime, André já havia arrombado a porta e invadido a casa dela pela janela. Mesmo diante desse histórico de terror, o agressor continuava circulando livremente.
A Frágil Barreira de Papel: O Dilema das Medidas Protetivas
O caso de Nicole é o retrato fiel de um sistema que entrega um papel e promete segurança, mas falha na prática. A vítima chegou a solicitar medidas protetivas, mas, como ocorre em inúmeros casos no Brasil, a ordem judicial não foi suficiente para deter um homem decidido a matar. Sem fiscalização ostensiva ou o uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar o agressor em tempo real, a medida protetiva acaba sendo uma esperança vazia. Enquanto o Estado não assumir a responsabilidade de vigiar o agressor, em vez de apenas notificar a vítima de seus direitos, o papel continuará perdendo para o ódio.
A Sobrevivente
A bebê de dois anos foi encaminhada ao Hospital da Mulher e passou por exames periciais. Segundo a investigação, ela pode ter ficado até dois dias sem alimentação e cuidados básicos ao lado do corpo da mãe. Atualmente, a criança está sob os cuidados de familiares maternos e recebe acompanhamento psicológico para tentar processar o trauma imensurável a que foi submetida.
O Retrato da Crise: Em 2025, São Paulo bateu o recorde histórico de feminicídios. O caso do bairro da Saúde não é uma exceção isolada, mas o sintoma de uma política de segurança que reage ao cadáver, em vez de prevenir a agressão.
Canais de Ajuda e Denúncia:
180: Central de Atendimento à Mulher (orientação e denúncia)
190: Emergência da Polícia Militar
Delegacia da Mulher (DDM): Atendimento especializado 24h.







Uma resposta
A gente faz a medida protetiva e mata o cara e pronto, o caso desse mata ou morre, as mulheres têm que deixar de ser Elisa samúdio, e ser Elise matsunaga.