Manaus | 4 de junho de 2026 | 06:24:07

Estudo revela que remédio para coração pode aumentar risco de morte em mulheres

Novas pesquisas indicam que os betabloqueadores, uma classe de medicamentos usada há décadas como tratamento padrão após infarto podem não trazer benefícios para a maioria dos pacientes e, em alguns casos, aumentar o risco de complicações graves em mulheres.

O estudo, publicado no European Heart Journal e apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, revelou que mulheres com função cardíaca preservada que tomaram betabloqueadores após um infarto tiveram maior chance de sofrer novo ataque, desenvolver insuficiência cardíaca e até morrer, especialmente quando receberam doses elevadas.

Segundo o Dr. Valentin Fuster, presidente do Mount Sinai Fuster Heart Hospital, essas descobertas podem reformular diretrizes médicas internacionais e abrir caminho para tratamentos cardíacos mais específicos para cada sexo.

O Dr. Borja Ibáñez, autor principal do estudo, explicou que a pesquisa incluiu a maior quantidade de mulheres já analisadas sobre o uso de betabloqueadores pós-infarto. Ele ressalta que os resultados valem apenas para mulheres com fração de ejeção do ventrículo esquerdo acima de 50%, considerada dentro da normalidade. Pacientes com fração abaixo de 40% ainda precisam do medicamento para evitar arritmias e outros problemas cardíacos.

“Mulheres reagem de forma diferente aos medicamentos. O tamanho do coração e fatores ainda não totalmente compreendidos podem influenciar nos efeitos negativos”, acrescenta o Dr. Andrew Freeman, especialista em prevenção cardiovascular nos EUA.

Historicamente, pesquisas sobre doenças cardíacas focaram mais em homens, o que atrasou a compreensão de como os sintomas e respostas a tratamentos diferem entre os sexos. Enquanto homens apresentam sintomas clássicos, como dor no peito, mulheres podem ter sinais mais sutis, como falta de ar, dor nas costas e indigestão.

O estudo clínico REBOOT acompanhou 8.505 pacientes em 109 hospitais da Espanha e Itália por quase quatro anos e também analisou avanços no tratamento imediato de infarto, como stents e anticoagulantes, que reduziram a dependência de betabloqueadores.

Apesar de os resultados principais não mostrarem benefícios para quem tem fração de ejeção acima de 50%, uma análise separada com pacientes que tinham função cardíaca entre 40% e 50% indicou redução de cerca de 25% no risco de novos infartos, insuficiência cardíaca e morte.

Os pesquisadores destacam que, embora seja um medicamento usado há cerca de 40 anos, é hora de questionar a necessidade contínua dos betabloqueadores para pacientes com função cardíaca preservada, especialmente mulheres.

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