Manaus | 18 de julho de 2026 | 17:34:17

Estudo alerta: uso prolongado de melatonina pode aumentar em até 90% o risco de insuficiência cardíaca

via: gettyimages

Popular entre pessoas com dificuldade para dormir, a melatonina, tida como uma opção “natural” e segura pode esconder riscos sérios à saúde do coração. Um novo estudo da American Heart Association (AHA) revelou que o uso prolongado do hormônio sintético está associado a maior risco de insuficiência cardíaca, hospitalização e morte entre pessoas com insônia crônica.

A pesquisa será apresentada na reunião científica anual da AHA, nos Estados Unidos, e analisou cinco anos de registros médicos de 130.828 adultos diagnosticados com insônia. Os dados foram obtidos por meio da TriNetX Global Research Network, uma base internacional de informações de saúde.

Entre os participantes, 65.414 usavam melatonina há pelo menos um ano. Esse grupo foi comparado a pessoas com o mesmo perfil, mas sem uso do suplemento. Os resultados chamaram atenção:

Risco 90% maior de desenvolver insuficiência cardíaca (4,6% contra 2,7%);

Quase 3,5 vezes mais hospitalizações por insuficiência cardíaca (19% contra 6,6%);

Quase o dobro de risco de morte por qualquer causa (7,8% contra 4,3%).

“Os suplementos de melatonina podem não ser tão inofensivos quanto se imagina. Se os resultados forem confirmados, eles podem mudar a forma como médicos orientam o uso desses auxiliares do sono”, afirma o médico Ekenedilichukwu Nnadi, autor principal do estudo e residente chefe de medicina interna na SUNY Downstate/Kings County Primary Care, em Nova York.

O que é a melatonina

A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pela glândula pineal, que regula o ciclo sono-vigília. Sua versão sintética, usada em suplementos, é quimicamente idêntica à natural e tem sido amplamente adotada para tratar insônia e jet lag.

Nos Estados Unidos, é vendida sem prescrição médica e não passa por regulação rigorosa da agência sanitária, o que faz com que a pureza e a dosagem variem bastante entre as marcas.

No Brasil, desde 2021, a substância é classificada como suplemento alimentar e pode ser comprada sem receita.

Especialistas pedem cautela

A professora Marie-Pierre St-Onge, da Universidade Columbia e presidente do grupo que redigiu a declaração científica da AHA sobre saúde do sono (2025), alerta para o uso prolongado do suplemento.

“Fico surpresa que médicos prescrevam melatonina por mais de um ano. Nos EUA, ela não é indicada para tratar insônia crônica e não deve ser usada continuamente sem acompanhamento médico”, afirmou.

O novo estudo reacende o debate sobre o uso indiscriminado de suplementos hormonais e reforça a importância de orientação profissional antes de recorrer à automedicação, mesmo quando se trata de substâncias consideradas “naturais”.

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