O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou, nesta terça-feira (12), a Operação Ícaro, que investiga um esquema bilionário de corrupção fiscal envolvendo grandes empresários e um auditor da Secretaria da Fazenda de SP. Segundo as apurações, o esquema teria movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas.
Foram presos temporariamente:
- Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma
- Mario Otávio Gomes, diretor estatutário da Fast Shop
- Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal da Secretaria da Fazenda
De acordo com o GEDEC (Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos), Artur manipulava processos administrativos para facilitar a quitação fraudulenta de créditos tributários de grandes empresas, recebendo propina em troca. O pagamento era feito por meio da empresa Smart Tax, registrada em nome da mãe do auditor, usada como laranja.
Durante buscas, os promotores encontraram grande quantia em dinheiro vivo na casa do auditor e identificaram documentos e certificados digitais de empresas armazenados em seus computadores, o que demonstra acesso interno a informações fiscais sensíveis.
Empresas envolvidas
Além da Ultrafarma e da Fast Shop, o Ministério Público investiga o envolvimento de pelo menos quatro outras empresas:
- Kalunga
- Oxxo (Grupo Nós)
- Allmix Distribuidora
- Rede 28 (postos de combustíveis)
E-mails interceptados apontam negociações envolvendo o contador Agnaldo de Campos, descrito como “testa de ferro” do auditor, com o setor jurídico dessas companhias. Um dos trechos menciona até o uso do certificado digital da Ultrafarma no computador do servidor público, indicando que ele realizava operações em nome da empresa.
Crimes investigados
Os envolvidos podem responder por:
- Corrupção ativa e passiva
- Organização criminosa
- Lavagem de dinheiro
- Fraude em processos administrativos tributários
As investigações seguem em andamento, com foco em identificar novos beneficiários do esquema e ampliar os elementos de prova.
O caso chama atenção pela dimensão financeira do esquema (R$ 1 bilhão) e pelo envolvimento de empresas amplamente conhecidas do público. Também levanta questionamentos sobre o uso indevido de estruturas da administração pública para favorecer grupos privados com benefícios fiscais indevidos.
O que dizem os citados
- A Fast Shop afirmou, em nota, que ainda não teve acesso aos autos e que colabora com as autoridades.
- A Ultrafarma, o Grupo Nós (Oxxo), a Kalunga e os demais investigados ainda não se manifestaram publicamente. O espaço segue aberto.





